Willie Colón, o arquiteto da música salsa urbana e ativista social indicado ao Grammy , morreu no sábado, 21. Ele tinha 75 anos.
Ao longo de sua carreira de décadas, o trombonista, compositor, arranjador e cantor produziu mais de 40 álbuns que venderam mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo. Ele colaborou com uma ampla gama de artistas, incluindo o Fania All Stars , David Byrne e Celia Cruz.
Sua aclamada colaboração com Rubén Blades, Siembra, tornou-se um dos álbuns de salsa mais vendidos de todos os tempos, e a dupla era conhecida por abordar questões sociais através do gênero.
A família e o empresário de Colón confirmaram sua morte por meio de publicações nas redes sociais.
“Willie não apenas mudou a salsa; ele a expandiu, a politizou, a revestiu de crônicas urbanas e a levou a palcos onde nunca havia sido ouvida antes”, escreveu o empresário Pietro Carlos. “Seu trombone era a voz do povo, um eco do Caribe em Nova York, uma ponte entre duas culturas.”
Colón, indicado a 10 Grammys e um Grammy Latino, fez canções famosas como El gran varón, Sin poderte hablar, Casanova, Amor verdad e Oh, qué será.
Blades afirmou na plataforma social X que confirmou “o que eu relutava em acreditar” e ofereceu suas condolências à família de Colón.
O caminho para o trombone – e para a fama
Nascido no bairro do Bronx, em Nova York (EUA), Colón foi criado por sua avó e tia, que desde cedo o nutriram com a música tradicional porto-riquenha e os ritmos típicos do repertório latino-americano, incluindo o son cubano e o tango.
Aos 11 anos, aventurou-se no mundo da música, primeiro com a flauta, depois com o clarim, o trompete e, finalmente, com o trombone, com o qual se destacou no então nascente gênero da salsa.
Seu interesse pelo trombone surgiu depois de ouvir Barry Rogers tocando o instrumento em Dolores, música de Mon Rivera com Joe Cotto.
“Parecia um elefante, um leão… um animal. Algo tão diferente que, assim que ouvi, pensei: ‘Quero tocar esse instrumento’”, relembrou ele em entrevista publicada no jornal colombiano El Tiempo em 2011.
Aos 17 anos, ele se juntou ao grupo de artistas que formou a famosa gravadora Fania Records, liderada e criada por Jerry Masucci e Johnny Pacheco . A Fania foi em grande parte responsável pelo novo som que surgiu no cenário latino de Nova York e que mais tarde seria chamado de “salsa”.
A principal característica de Colón como músico era a fusão de ritmos, harmonizando jazz, rock, funk, soul e R&B com a velha escola latina do son cubano, cha-cha-cha, mambo e guaracha, adicionando a nostalgia do som tradicional porto-riquenho que engloba a jíbara, a bomba e a plena.
Em 2004, a Academia Latina da Gravação concedeu a Colón um Grammy especial por sua carreira e contribuições para a música.
Como líder comunitário, Colón lutou pelos direitos civis, principalmente nos Estados Unidos. Ele fez parte da Associação de Artes Hispânicas, da Comissão Latina sobre a aids, da Coalizão Arthur Schomburg por uma Nova York Melhor e do Instituto do Caucus Hispânico do Congresso, entre outras organizações.
Em 1991, ele foi homenageado com a bolsa Chubb da Universidade de Yale, um reconhecimento por serviços prestados à comunidade, também concedido a personalidades como John F. Kennedy, Moshe Dayan, o Reverendo Jesse Jackson e Ronald Reagan, entre outros.
Na esfera política, atuou como assistente especial de David Dinkins, o primeiro prefeito negro de Nova York, e posteriormente foi nomeado assistente especial e conselheiro do prefeito Michael Bloomberg.
No entanto, Colón teve pouca sorte em suas próprias candidaturas a cargos públicos. Ele fracassou na disputa contra o então deputado federal Eliot Engel nas primárias democratas de 1994 e, em 2001, ficou em terceiro lugar nas primárias democratas para o cargo de defensor público de Nova York.
Ele apoiou a campanha presidencial de Hillary Clinton em 2008, mas disse ao Observer que votou em Donald Trump em 2016.
Colón teve desentendimentos públicos com artistas e políticos. Sua amizade com Blades se rompeu depois que Colón entrou com um processo por quebra de contrato referente ao show Siembra… 25 anos depois, realizado em Porto Rico em 2003. Ele também causou polêmica ao chamar o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de “podre” em uma rede social.
Colón atuou em filmes como Vigilante, The Last Fight e It Could Happen to You, e na televisão em séries como Miami Vice e Demasiado Corazón. Mais recentemente, participou do videoclipe de NuevaYol, do Bad Bunny.
Ele deixa esposa e quatro filhos.