Leite diz que governo Lula tem ‘pouco apetite’ para combater crime organizado

Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul, em seminário do Iree (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa)
Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul, em seminário do Iree (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa) Foto: Manoel Marques/IREE

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou à IstoÉ que o governo Lula (PT) demonstra “um apetite muito grande” para controlar a atuação das polícias e, em contrapartida, ”muito pequeno para endurecer o enfrentamento ao crime organizado”.

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Questionado sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, enviada pelo Palácio do Planalto para tramitação no Congresso, Leite disse que os governadores estão “pouco tranquilos” com relação à atuação pretendida pelo governo federal na área — atualmente, as forças civis e militares estão sob a guarda dos estados.

“O ímpeto deste governo sempre foi muito maior no sentido de controle das polícias e da própria atuação do Estado do que do enfrentamento qualificado ao crime organizado”, disse, em entrevista concedida no seminário promovido pelo Iree (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa) para discutir segurança pública, direitos humanos e democracia, nesta segunda-feira, 26, em São Paulo.

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A declaração reforça as críticas feitas por governadores à proposta do governo Lula e prenuncia dificuldades pela conquista do aval do Legislativo. Em abril, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, afirmou à IstoÉ que a PEC representa “um golpe sobre todos os estados, porque retira o direito constitucional dos estados para administrar as penitenciárias e as forças policiais”.

Para Leite, o texto tem um bom ponto de partida ao “constitucionalizar o que já foi feito na legislação do Susp [Sistema Único de Segurança Pública]”, mas depende de “disposição do governo federal atuar em outras frentes, como as relacionadas ao Código Penal e à necessidade de investimentos robustos no sistema prisional” para viabilizar melhorias na área, considerada prioritária pelos brasileiros.

Recém-filiado ao PSD, o gaúcho é pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, quando Lula deve disputar a reeleição. Os planos de concorrer ao Palácio do Planalto, no entanto, esbarram nas indefinições do próprio partido, que chefia três ministérios no governo federal (Agricultura, Minas e Energia e Pesca), está enlaçado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e cogita ainda a candidatura própria de Ratinho Júnior, mandatário do Paraná.