Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em julho de 2020, cerca de 45 milhões de brasileiros encontravam-se em “estado de insegurança alimentar”, que é definida como “falta de disponibilidade e acesso das pessoas aos alimentos”.
Dentre esse quadro horroroso, 11 milhões de pessoas estavam no grupo considerado como “Insegurança alimentar grave”, pessoas que cotidianamente convivem com a fome. E, pior ainda, é o número de quase 5 milhões de brasileiros (em sua maioria crianças) subnutridos.
Nos últimos dois anos, o Brasil atingiu o menor patamar de pessoas com alimentação plena ou regular. A fome é mais severa nas áreas rurais, e metade dos famintos vive no Nordeste, sendo que metade das crianças com até 5 anos convive com restrições na alimentação.
É neste mesmo País que o governo federal entope as panças dos seus servidores com leite condensado, chicletes, bolos, biscoitos, refrigerantes e outras guloseimas. Apenas em 2020, a sociedade brasileira gastou quase 2 bilhões de reais com a comilança oficial.
E nem vou citar os banquetes suntuosos dos demais poderes (legislativo e executivo), afinal, lagostas, vinhos caros e carnes nobres jamais faltaram nas mesas poderosas de Brasília e dos demais estados da Federação, regiamente dispostos por gentis serviçais.
Jair Bolsonaro disse que os 15 milhões de reais gastos em leite condensado foram parar no rabo dos jornalistas, e sua aliada Carla Zambelli ironizou os famintos aconselhando que se alistem, caso queiram comer bem. Eis o retrato do Brasil, sob o domínio dessa gente imunda.
Por fim, não me importa se 2 milhões de reais em chicletes foram parar no rabo do Queiroz ou na conta da primeira-dama, Micheque Bolsonaro, como “rachadinha”. Por que isso agora? Por nada. Apenas para emular o pensamento tosco e a fala chula do devoto da cloroquina. O texto terminou logo acima, com a frase “Eis o retrato do Brasil, sob o domínio dessa gente imunda”.