Economia

Leilão de transmissão termina com a contratação de 56% dos investimentos

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu no início da tarde desta quarta-feira, 13, o primeiro leilão de transmissão de 2016 e maior já realizado pela agência, conseguindo investidores para 14 dos 24 lotes ofertados. Para os demais 10 lotes, não houve interessados. A autarquia destacou que o certame resultou na contratação de 56% dos investimentos ofertados, ou seja, dos R$ 12,2 bilhões ofertados, R$ 6,8 bilhões serão realizados a partir da assinatura dos contratos. Em termos de Receita Anual Permitida (RAP), foram contratados 55,3% da RAP ofertada, já considerando os deságios.

Com muitos lotes conquistados sem qualquer desconto e pouca competição na maior parte dos lotes, o deságio médio do leilão ficou em 2,96%. “Mesmo que aparentemente se possa achar que o leilão não foi dos melhores, mas em qualquer leilão R$ 7 bilhões é muito dinheiro para o momento econômico do País, entendemos que é muito dinheiro”, disse o diretor da Aneel, José Jurhosa Jr., em coletiva de imprensa após a conclusão do certame.

Moacir Carlos Bertol, representante do Ministério de Minas e Energia, também considerou o resultado do leilão “positivo”, “com crescimento de expectativa e de resultado em relação aos anteriores”. Ele disse esperar também resultados “bons” na segunda fase do leilão, marcado para julho.

Não houve a predominância de qualquer grupo como vencedor do leilão. Dentre os grandes grupos que tradicionalmente atuam no segmento de transmissão de energia, os chineses da State Grid, que já foram considerados “grandes vencedores” de outros leilões, desta vez levaram dois dos três lotes de interesse da empresa. A Alupar levou outros dois lotes, dos cinco a que se candidatou, e a Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa) ficou com apenas um dos dois que disputou. Destaque ainda para o Pátria Investimentos, que por meio de seu Fundo III de Infraestrutura conquistou o maior lote ofertado. Os demais ficaram na mão de empresas novatas na disputa de concessões de transmissão.

Jurhosa considerou a presença de novas companhias “excelente”. “Em função da forma como conseguimos estruturar os lotes, em lotes um pouco menores, isso fez com que empresas não tradicionais do setor elétrico pudessem vir a participar”, comentou. Ele lembrou que nos leilões passados o mercado se resignava com o fato de serem sempre os mesmos competidores. “Chega um momento em que (os investidores tradicionais) não têm mais capacidade de investimento”, disse.


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Ele minimizou a preocupação com a possibilidade de novos entrantes não conseguirem cumprir os contratos. “Temos feito de tudo para nos cercar de mais informações sobre as empresas, mas não podemos cercear o direito das que não têm know-how no setor elétrico de participar”, disse.

Dentre os vencedores novatos está a Geogroup, que conquistou o lote X, o último licitado no dia de hoje. O representante da empresa, Felipe Fedalto, admitiu que a existência de lotes melhores e de menor complexidade permite a participação de empresas médias, que usualmente são contratadas das concessionárias para realizar as obras. “É caminho certo a ser seguido e certamente vai novas empresas médias entrando, como nós, trazendo competitividade ao leilão”, comentou. Ele, porém, disse que a companhia não pretende participar da segunda etapa do certame, em julho.

A empresa venceu o lote X ao fazer melhor lance que a concorrente State Grid, em uma disputa de “Davi contra Golias”, como definiu o executivo.

Lotes vazios

Jurhosa admitiu que dentre os lotes que deram vazio existem projetos importantes, para os quais a Aneel não esperava que faltassem interessados. Entre eles, destaque para o lote B, que interliga linhões do Rio Madeira e de Belo Monte e visa o reforço na região Sudeste. “Ele com certeza vai figurar no próximo leilão”, indicou.

De acordo com o diretor da Aneel, os lotes serão analisados e algumas adequações poderão ser feitas para garantir interessados. Ele salientou, porém, que as mudanças não serão feitas nos valores, mas em “arranjos”, como a segregação de obras.

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