Uma iniciativa que pretendia impedir a comercialização de gado criado em zonas com desmatamento fracassou na quinta-feira no Senado da Colômbia, apesar do apoio da União Europeia (UE) e, inclusive, do astro de Hollywood Leonardo DiCaprio.

“Inglaterra, Alemanha, Noruega (…) até Leonardo DiCaprio pediram ao Congresso da Colômbia que aprovasse de maneira imediata este projeto. Infelizmente, hoje não será uma realidade”, lamentou Juan Carlos Losada, do partido Liberal e um dos autores do projeto de lei.

O texto pretendia “garantir uma cadeia produtiva de gado livre de desmatamento”, com medidas para evitar a chegada ao mercado de carne de animais criados áreas que registram a diminuição das florestas.

A Colômbia perdeu 123.517 hectares de árvores em 2022, a maioria na Amazônia, segundo uma autoridade do setor ambiental. A pecuária é um dos principais motores do desmatamento na região.

DiCaprio, um defensor das causas ambientais, fez um apelo recentemente ao Congresso da Colômbia para aproveitar “uma oportunidade histórica” para proteger “lugares como o Parque Natural Chiribiquete”, um exuberante setor da floresta amazônica declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2018.

A iniciativa foi aprovada pela Câmara, mas não foi agendada para debate no Senado no último dia da legislatura. Losada antecipou que apresentará o projeto novamente quando o Congresso retomar as atividades, no final de julho.

A União Europeia também apoiava a iniciativa, que descreveu como uma “oportunidade ecológica e econômica”, devido aos rigorosos protocolos de rastreabilidade exigidos pelo mercado europeu de alimentos.

As exportações de carne bovina da Colômbia alcançaram 115 milhões de dólares (627 milhões de reais) em 2023.

No final do ano passado, a Colômbia anunciou um acordo para exportar carne para a China, com o qual o governo espera multiplicar por quatro as vendas do setor.

jss/atm/fp

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