Legado de Afrika Bambaataa segue vivo na música e na cultura urbana mundial

Conhecido como um dos pais do hip-hop, artista revolucionou a música e o ativismo cultural com a Zulu Nation

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Afrika Bambaataa Foto: Reprodução/Instagram

A música contemporânea perde um de seus pilares: Afrika Bambaataa, um dos pais fundadores do hip-hop, morreu aos 68 anos nesta quinta-feira, 9. O artista, nascido Lance Taylor no Bronx, Nova York, deixa um legado que transformou o gênero em um movimento cultural global e ultrapassou gerações, estendendo sua influência da música eletrônica ao ativismo social.

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O que aconteceu

  • Afrika Bambaataa, pioneiro e um dos pais fundadores do hip-hop, faleceu aos 68 anos.

  • Ele revolucionou a música com faixas como “Planet Rock” e usou a cultura urbana para combater a violência através da Zulu Nation.

  • Seu impacto se estendeu ao ativismo social, influenciando gêneros musicais no Brasil e deixando um legado global, apesar de controvérsias recentes.

Bambaataa surgiu em um momento em que o hip-hop ainda dava seus primeiros passos. Foi nesse cenário que ele ajudou a estruturar não apenas um estilo musical, mas uma linguagem que conectava música, dança, arte e consciência social. Um dos pilares dessa construção foi a criação da Zulu Nation, organização que tinha como proposta afastar jovens da violência por meio da cultura urbana.

A revolução musical e social

Musicalmente, sua contribuição foi revolucionária. Em 1982, lançou “Planet Rock”, faixa que se tornaria um divisor de águas ao fundir batidas eletrônicas com o rap, ajudando a estabelecer as bases do electro-funk e influenciando diretamente a evolução da música eletrônica e do próprio hip-hop. Anos depois, reforçou esse viés engajado com “World Destruction”, parceria com John Lydon, lançada em pleno contexto da Guerra Fria.

O impacto de Bambaataa também se estendeu a projetos coletivos de forte cunho político e social, como o álbum “Sun City”, que reuniu artistas de diferentes estilos em um protesto contra o apartheid na África do Sul. Ao lado de nomes como Run-D.M.C., Lou Reed e integrantes do U2, ele mostrou como a música poderia ser uma ferramenta de mobilização global.

Como sua influência se manifestou no Brasil?

Sua influência também chegou ao Brasil. Bambaataa teve passagens marcantes pelo país, com apresentações em eventos como a Virada Cultural e o Rock in Rio em 2011, além de colaborações com artistas brasileiros, como Fernanda Abreu. Musicalmente, seu trabalho ajudou a pavimentar caminhos que mais tarde influenciariam gêneros como o miami bass e o freestyle — fundamentais para o desenvolvimento do funk carioca nos anos 1990.

Legado e controvérsias

Nos últimos anos, sua trajetória também foi atravessada por controvérsias, com acusações graves que impactaram sua imagem pública. Ainda assim, sua importância histórica na formação do hip-hop permanece como um ponto incontornável para entender a evolução da música urbana.

Entre inovação, ativismo e influência cultural, Afrika Bambaataa deixa um legado que segue ecoando nas batidas, nas pistas e nas narrativas de artistas ao redor do mundo.