MP-SP denuncia Deolane Bezerra e Marcola por lavagem de dinheiro do PCC

Ministério Público de São Paulo acusa advogada e influencer, líder do PCC e outros de esquema que movimentava dinheiro da facção há anos

Deolane Bezerra
Deolane Bezerra Foto: Instagram

O Ministério Público de São Paulo oferece denúncia contra seis pessoas acusadas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os denunciados estão a advogada e influenciadora Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder da facção criminosa. A operação teria atuado entre 2018 e 2025.

O que aconteceu

  • Lavagem de dinheiro do PCC: O Ministério Público de São Paulo denunciou seis pessoas, incluindo Deolane Bezerra e Marcola, por integrar esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital.
  • Estrutura da organização: Segundo o Gaeco, o núcleo operava por meio de uma empresa de transportes para dissimular e reinserir na economia formal os recursos ilícitos da facção.
  • Andamento do caso: Deolane Bezerra teve habeas corpus negado e permanece presa, enquanto dois filhos de Alejandro Herbas Camacho Junior estão foragidos no exterior.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta que o núcleo operava uma estrutura financeira “voltada à dissimulação e à reinserção na economia formal dos recursos ilícitos obtidos pela facção criminosa”. O esquema teria se dado entre 2018 e 2025, utilizando uma empresa de transportes administrada por Ciro Cesar Lemos, já condenado por organização criminosa.

Lemos, conforme a investigação, recebia ordens de Marcola e de seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, outra liderança da organização, para repassar rendimentos aos outros membros da rede criminosa.

Quem são os outros envolvidos?

A rede era composta ainda pelo operador financeiro Everton de Sousa e pelos filhos de Alejandro, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho. De acordo com o Gaeco, Leonardo e Paloma estão foragidos no exterior, buscando evitar a prisão.

As investigações detalham que Deolane Bezerra recebia depósitos fracionados provenientes da transportadora, ocultando a origem do dinheiro por meio de contas próprias. “A acusada planejava reestruturar suas empresas e transferi-las para fundos sediados no exterior, operando a lavagem de dinheiro dos valores oriundos de integrantes do PCC”, afirmou o Gaeco em nota.

Everton de Sousa, por sua vez, supervisionava as prestações de contas e o fluxo de valores como operador intermediário. Paloma e Leonardo recebiam parcelas dos rendimentos ilícitos por determinação do pai, cabendo a Paloma orientar Lemos sobre a distribuição dos valores, a partir de informações repassadas por Alejandro.

Deolane Bezerra teve seu pedido de habeas corpus negado pela Justiça nesta terça-feira (9) e permanece detida. Marcola foi preso em 1999, e Alejandro está preso desde 2006. Apesar da prisão das lideranças, a influência de Marcola é considerada central para as operações da facção, através de advogados, familiares e redes clandestinas de comunicação, conforme autoridades penais e judiciárias.

O que dizem as defesas?

A defesa de Deolane Bezerra afirmou que não teve acesso à acusação e que a advogada e influenciadora não faz parte de nenhuma organização criminosa, tampouco cometeu qualquer crime. A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, disse que ele e seu irmão Alejandro estão em presídios de segurança máxima desde 2019, o que inviabilizaria sua participação no esquema.

Adicionalmente, a defesa de Marcola acrescentou que Leonardo e Paloma “refutam integralmente as imputações formuladas”, embora não negue a relação patrimonial e os “elementos financeiros” da denúncia. A defesa afirma que tais elementos serão esclarecidos e são regulares, e que as acusações são improcedentes.

*Com Agência Brasil