‘Pronto para o próximo’, diz Kleber Mendonça Filho após derrotas do Brasil no Oscar

Diretor de 'O Agente Secreto' agradeceu o apoio de fãs nas redes sociais

ANGELA WEISS / AFP
Diretor Kleber Mendonça Filho Foto: ANGELA WEISS / AFP

O Oscar 2026 terminou sem o esperado reconhecimento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para o Brasil, mas consolidou um novo patamar para a produção nacional. Na noite de domingo, 15, em Los Angeles, o longa O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, despediu-se da cerimônia de mãos vazias, apesar do ineditismo de suas quatro indicações. O resultado, embora frustrante para a torcida, foi respondido pelo diretor com um tom de resiliência e foco no futuro: “Pronto para o próximo”, declarou o cineasta em suas redes sociais.

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O saldo da participação brasileira

  • Quebra de barreira: Wagner Moura tornou-se o primeiro brasileiro a disputar a categoria de Melhor Ator, um marco histórico para o país.
  • Presença múltipla: Além das categorias de Melhor Filme e Filme Internacional, o Brasil marcou presença em Direção de Elenco e Fotografia (Sonhos de Trem).
  • Mobilização popular: No Recife, o tradicional Cinema São Luiz foi o epicentro de uma festa com frevo e bonecos gigantes, simbolizando o apoio do público.

O fenômeno “O Agente Secreto”

A campanha de O Agente Secreto na temporada de premiações foi a mais robusta do cinema nacional em décadas. Ao figurar entre os indicados a Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, a obra de Mendonça Filho desafiou o domínio das produções de língua inglesa. A indicação de Wagner Moura, em particular, foi vista por analistas como uma correção histórica da Academia com o talento brasileiro.

Mesmo com a derrota para o norueguês Valor Sentimental na categoria internacional e para Michael B. Jordan (Pecadores) no prêmio de atuação, o impacto cultural foi inegável. “A cultura enchendo a rua, o espaço público. Viva o cinema!”, celebrou o diretor ao ver as imagens das comemorações no centro do Recife.

Noite de domínio para “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra”

A 98ª edição do Oscar foi marcada pela concentração de prêmios em blockbusters e dramas de grande orçamento. O filme Uma Batalha Após a Outra confirmou o favoritismo ao levar as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Fotografia — esta última disputada pelo brasileiro Adolpho Veloso, por Sonhos de Trem.

Apesar da ausência de troféus, o saldo para o audiovisual brasileiro em 2026 é de crescimento. A presença em categorias técnicas e de performance principal indica uma inserção mais profunda do Brasil nos mecanismos de votação de Hollywood, distanciando-se do rótulo de “convidado ocasional”.

Com informações do Estadão Conteúdo