Kim Kataguiri oficializa filiação ao Missão, partido do MBL

Transferência ocorre três dias após parlamentar deixar o União Brasil

Kleyton Amorim
“Rompemos com o governo quando os filhos do presidente começaram a apoiar o fechamento do STF e do Congresso” Kim Kataguiri, deputado federal Foto: Kleyton Amorim

O deputado federal Kim Kataguiri oficializou nesta segunda-feira, 9, a filiação ao Partido Missão — legenda derivada do Movimento Brasil Livre (MBL). A integração foi confirmada à IstoÉ e ocorre três dias após o parlamentar deixar o União Brasil.

A filiação já era prevista e aproveita a abertura da janela de transferências partidárias, que deve durar até o mês de abril. No final de 2025, o Missão conseguiu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e anunciou que os integrantes do MBL — que até então estavam distribuídos em outras legendas — migrariam para o partido no ano seguinte.

Segundo o MBL, uma cerimônia oficial de lançamento do Missão será realizada no dia 19 de março. A solenidade busca celebrar a filiação de diferentes parlamentares associados ao movimento, como Kim Kataguiri, Guto Zacarias, Amanda Vettorazzo, entre outros.

O que é o MBL

O MBL surgiu como parte de um contexto considerado por pesquisadores o início da expansão da extrema-direita brasileira que, anos mais tarde, alçaria Bolsonaro à Presidência da República. Em 2014, cinco garotos — Alexandre e Renan Santos, Kim Kataguiri, Frederico Rahu e Gabriel Calamari — se reuniram para militar com um objetivo claro: mobilizar protestos pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Ancorados em ideias liberais e conservadoras, eles pertenciam à geração de jovens insatisfeitos com partidos, sindicatos e lideranças políticas tradicionais. Uma das principais marcas dessa tendência foi o antipetismo e o antiesquerdismo, demonstrados mais claramente nas manifestações de junho de 2013.

Distante de partidos de quaisquer espectro, o MBL condensou bandeiras como a luta contra corrupção e a crítica ao uso assistencialista do Estado. Liderado por jovens de classe média, atraiu rapidamente integrantes do mercado financeiro e pequenos empresários, que enxergavam no movimento uma síntese da ideologia liberal.

  • Liberalismo – corrente de pensamento que defende a liberdade individual como valor central, sustentando que o papel do Estado deve ser limitado apenas à garantia de direitos fundamentais. No campo econômico, prega o livre comércio e a concorrência, sob o princípio de que o mercado se regula de forma autônoma, sem necessidade de intervenção estatal.

Já com posição consolidada em manifestações, o movimento elegeu oito de seus integrantes — um prefeito e sete vereadores — no pleito de 2016. A presença aumentou nas eleições gerais de 2018, quando Kim Kataguiri chegou ao Congresso Nacional.

A busca do MBL por uma legenda para chamar de sua começou em 2023. A articulação só ofereceu resultado dois anos depois, com a conquista de 590 mil assinaturas a favor da criação do Missão. O pedido foi admitido ao TSE em julho de 2025 e aprovado por unanimidade em novembro.

No intervalo, lideranças do movimento apoiaram a candidatura de João Doria (então no PSDB) à prefeitura de São Paulo; em 2016, apoiaram a chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto e, em 2022, flertaram com a candidatura frustrada do ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, ao governo federal — hoje ele é senador pelo Paraná.