O secretário de Estado americano, John Kerry, viaja nesta quinta-feira (8) para Genebra, onde se reúne com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, na tentativa de chegar a um acordo para o conflito sírio – anunciou o Departamento de Estado.
“Sua discussão chega após recentes conversas sobre a Síria, e se concentrará em reduzir a violência, ampliar a ajuda humanitária para os sírios e avançar para uma solução política necessária para terminar a guerra civil”, informou o porta-voz da pasta, John Kirby, em um comunicado.
O Departamento de Estado não informou quando exatamente os chefes diplomáticos vão se reunir, mas Kerry pode estar na cidade suíça na manhã de sexta-feira.
Programado para quinta e sexta-feiras, o encontro de Genebra havia sido anunciado na quarta (7) pela parte russa, mas Washington se recusou até o último minuto a confirmar a viagem do secretário de Estado.
Kerry e Lavrov voltaram a se falar por telefone nesta quinta, principalmente sobre uma possível “cooperação russo-americana com o objetivo de destruir os grupos ativos na Síria, ajudar a resolver os problemas humanitários e promover uma solução política no conflito sírio”, segundo o Ministério russo das Relações Exteriores, que informou que a conversa ocorreu por iniciativa dos Estados Unidos.
Na véspera, em Londres, a oposição síria apresentou um plano de transição política. A situação continua sendo muito complicada no país, principalmente em Aleppo (norte), onde as forças do regime, apoiadas pela aviação russa, conseguiram cercar totalmente os bairros rebeldes.
A primeira etapa do projeto da oposição síria prevê uma fase de seis meses em que “as duas partes negociadoras terão que se comprometer a respeitar uma trégua provisória” e com o retorno de milhares de deslocados e refugiados.
Durante a segunda etapa, que duraria 18 meses, a Síria seria comandada por um governo transitório, que iria requerer “a saída de Bashar al-Assad e seu grupo”.
A terceira e última etapa permitiria consolidar as transformações através de “eleições locais, legislativas e presidenciais” organizadas “sob a supervisão e com o apoio técnico das Nações Unidas”.
O plano retoma os passos estabelecidos em novembro de 2015 pelas grandes potências em Viena, mas que não fixava o destino de Bashar al-Assad.
Diálogos com a oposição síria
“A ideia é, uma vez alcançado o verdadeiro fim das hostilidades, abrir as portas e retomar as negociações políticas”, explicou à AFP Anas al-A’bdah, presidente da coalizão síria da oposição política no exílio.
“Apresentamos a nossa visão, se (os Estados Unidos ou a Rússia) tiverem ideias melhores, falaremos sobre elas, mas há alguns princípios pelos quais o povo sírio está lutando desde que começou a revolução e não poderemos ignorá-los”, acrescentou, referindo-se à saída do presidente sírio.
O plano de transição foi apresentado pelo Alto Comitê de Negociações (ACN), que agrupa os principais representantes da oposição e da rebelião sírias e que mantém contato com uma parte dos países do Grupo de Amigos da Síria.
Entre eles estão os responsáveis pela diplomacia do Reino Unido, Turquia, Arábia Saudita, Catar, Itália, a União Europeia e França, enquanto os Estados Unidos conversarão com o ACN por vídeo-conferência.
“Essa reunião é muito importante porque conseguirão pontos de convergência para sair do ‘lamaçal’ sírio”, comentou o ministro de Relações Exteriores francês, Jean-Marc Ayrault, na saída do encontro.
Um acordo entre Moscou e Washington para o fim das hostilidades, que poderia acontecer entre quinta e sexta-feira (9) durante a reunião em Genebra, já era esperado durante a cúpula do G20 que terminou na segunda-feira, na China.