Keiko Fujimori atinge vantagem irreversível confirma vitória nas eleições do Peru

Candidata de direita consolida vantagem irreversível sobre Roberto Sánchez, da esquerda, em pleito marcado por polarização e contestações

Keiko Fujimori atinge vantagem irreversível confirma vitória nas eleições do Peru

A candidata de direita Keiko Fujimori alcançou nesta quarta-feira, 24, uma vantagem irreversível na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru. Com a contagem de 99,859% das urnas, Fujimori supera seu adversário, Roberto Sánchez, da esquerda, por uma diferença de 43.386 votos, consolidando sua vitória e projetando-se como a próxima presidente do país andino.

O que aconteceu

  • As eleições no Peru chegam ao fim com a vitória da candidata de direita Keiko Fujimori sobre o esquerdista Roberto Sánchez.
  • A apuração, que durou mais de duas semanas, foi marcada por extrema polarização e uma diferença mínima de votos entre os concorrentes.
  • Roberto Sánchez não reconhece o resultado, alegando fraude e convocando protestos, enquanto a imprensa peruana projeta a declaração oficial de Fujimori.

A apuração, que se estendeu por mais de duas semanas desde o segundo turno realizado no início de junho, revelou um cenário de extrema polarização no país. A disputa foi acirrada, com a diferença entre os candidatos chegando a apenas 0,1 ponto percentual em determinados momentos da contagem.

Roberto Sánchez chegou a liderar a apuração por alguns dias, mas Keiko Fujimori retomou a dianteira impulsionada significativamente pelos votos dos peruanos residentes no exterior, onde obteve 63,206% dos sufrágios. No entanto, dentro do território peruano, Sánchez ainda mantém uma ligeira vantagem, com 50,113% dos votos internos.

Keiko Fujimori assumirá a presidência em substituição a José María Balcázar Zelada, o atual presidente interino de esquerda. Balcázar Zelada ocupa o cargo há apenas quatro meses, tendo chegado ao poder após a destituição do ex-presidente José Jeri pelo Congresso, acusado de má conduta.

Sánchez não reconhece o resultado

Na terça-feira, 23, o candidato Roberto Sánchez alegou fraude no processo de contabilização dos votos. Em resposta, ele convocou seus apoiadores para novas marchas de protesto agendadas para o próximo sábado, 27, em todo o país. “Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, declarou Sánchez, direcionando acusações à autoridade eleitoral peruana, a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), e à campanha de sua rival por supostas irregularidades nos votos registrados no exterior.

Anteriormente, na segunda-feira, Sánchez havia formalizado um recurso solicitando a anulação dos votos dos peruanos residentes fora do país. Ele alegou irregularidades administrativas na gestão das cédulas pela ONPE, órgão responsável pelo pleito. Segundo o candidato, esses votos, que somam aproximadamente 300 mil, teriam favorecido amplamente Keiko Fujimori. Sánchez argumenta que, sem a contagem dos sufrágios do exterior, ele teria uma vantagem de cerca de 25 mil votos.

Entretanto, advogados especializados em direito eleitoral, consultados pelo jornal El Comercio, avaliam que o pedido de anulação carece de fundamento jurídico. Para os especialistas, a medida serve principalmente para atrasar a proclamação oficial dos resultados por parte das autoridades eleitorais.

Qual a composição do novo Congresso peruano?

No cenário legislativo, o partido de Keiko Fujimori, Fuerza Popular, assegurou a maior bancada no Congresso. A legenda contará com 41 cadeiras na Câmara dos Deputados e 22 no Senado. Já o partido de Roberto Sánchez, Juntos por el Perú, conquistou a segunda maior representação, com 32 cadeiras na Câmara e 14 no Senado.

A campanha de Keiko Fujimori informou que aguardará a conclusão total e formal da apuração para, então, reivindicar oficialmente a vitória. A imprensa peruana, no entanto, já projeta sua eleição ainda para esta quarta-feira.