Keiko Fujimori comemora favoritismo para 2º turno no Peru

Apuracao lenta e questionamentos marcam pleito em que a candidata se declara contra o "inimigo" de esquerda

ERNESTO BENAVIDES / AFP
A candidata à presidência do Peru pelo partido Fuerza Popular, Keiko Fujimori, acena ao chegar para votar em Lima, em 12 de abril de 2026, durante a eleição presidencial Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP

A candidata Keiko Fujimori comemorou nesta segunda-feira, 13, os resultados das pesquisas e das estimativas preliminares das eleições no Peru. Os dados a apontam como favorita para um segundo turno em junho contra o que ela descreve como o “inimigo” de esquerda. A apuração oficial, no entanto, avança de maneira lenta, em um pleito marcado por questionamentos à autoridade eleitoral após atrasos e incidentes que provocaram a ampliação do horário de votação até esta segunda-feira.

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O que aconteceu

  • Keiko Fujimori lidera as eleições presidenciais no Peru, sendo apontada como favorita para o segundo turno em junho.
  • A votação foi marcada por atrasos e incidentes que levaram à extensão do horário e a fortes questionamentos sobre a autoridade eleitoral.
  • O país enfrentará desafios significativos com o novo presidente, incluindo altas taxas de criminalidade e instabilidade política.

“Os resultados (…) são um sinal muito positivo para o nosso país, porque (…) o inimigo é a esquerda”, disse a filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000) em um breve discurso após a divulgação dos dados preliminares. Sem um rival confirmado, a segunda vaga no segundo turno é disputada por vários candidatos, incluindo o ultraconservador Rafael López Aliaga, que aparece bem posicionado.

O próximo presidente terá o desafio de enfrentar as taxas elevadas de criminalidade e a instabilidade política que levou o país a ter oito presidentes na última década.

Questionamentos e denúncias de fraude na votação

Com 40% dos votos apurados, Keiko Fujimori lidera a contagem oficial, à frente de López Aliaga, conhecido como Porky. Em um país onde o voto é obrigatório, quase 63.000 pessoas não conseguiram votar por falta de cédulas, urnas e outros materiais eleitorais, gerando grande indignação.

“Dá muita indignação que, nesta altura do século XXI, estejam acontecendo estas coisas aqui no Peru. Cada dia é pior”, disse Martha Tumba, de 81 anos, durante um protesto diante da sede da autoridade eleitoral. Durante o dia de votação no domingo, longas filas foram registradas em alguns locais em Lima sob forte calor e umidade, e os próprios candidatos criticaram os problemas.

“É uma fraude eleitoral gravíssima e vamos convocar um protesto cidadão”, disse López Aliaga. Segundo as pesquisas, o terceiro e o quarto lugares de uma disputa acirrada estão com o social-democrata Jorge Nieto, que ainda tem chances de alcançar López Aliaga, e o empresário de centro Ricardo Belmont.

Antes do fim do horário de votação, policiais da unidade anticorrupção e promotores entraram na sede da autoridade eleitoral e na empresa responsável por distribuir o material eleitoral para obter informações sobre os incidentes. Jornalistas da AFP constataram a presença de agentes das forças de segurança dentro e nas imediações do organismo eleitoral. Durante a noite, dezenas de pessoas gritaram “fraude” em um protesto diante da autoridade eleitoral do país.

Como o novo presidente do Peru enfrentará a criminalidade?

Boa parte dos peruanos desconfia de seus políticos, a quem responsabilizam pela violência que coincide com a presença de grupos criminosos transnacionais em guerra com os criminosos locais. Os discursos de campanha se concentraram no combate à criminalidade. Vários candidatos apostam em medidas radicais, como tribunais anônimos para julgar criminosos, prisões cercadas por serpentes, premiação pela morte de bandidos ou a saída do país da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O Peru teve oito presidentes desde 2016, metade deles destituídos por um Parlamento que concentra a rejeição da população. Em uma entrevista à AFP na véspera da eleição, Keiko Fujimori prometeu expulsar migrantes em situação irregular, atrair investimentos americanos e aderir ao bloco de governos de direita da região, que cresce com o apoio de Donald Trump.

Os eleitores receberam uma cédula de 44 centímetros de comprimento, na qual também marcam, pela primeira vez desde 1990, deputados e senadores, já que o país restabelecerá em julho um Parlamento bicameral. Mais de 90% dos peruanos têm “pouca” ou “nenhuma confiança” em seu governo e em seu Parlamento, o índice mais elevado na América Latina, segundo a pesquisa regional Latinobarómetro.

Mas, apesar de seus problemas, o Peru se destaca como uma das economias mais estáveis da região, com a menor inflação do continente e exportações minerais em expansão.

Com informações da AFP