Responsável por retratar nomes como Deborah Secco, Jesus Luz, Giullia Buscaccio e Maria Lina, o fotógrafo paulistano Kaue Carvalho acompanha de perto e por dentro as transformações que a inteligência artificial vem provocando no mercado de imagem. E faz um alerta direto: o público já começou a perceber quando a tecnologia ultrapassa o limite da autenticidade.
Em entrevista à IstoÉ Gente, Kaue afirma que, embora a IA tenha ampliado possibilidades técnicas, também abriu espaço para distorções. “A IA facilitou muita coisa. Mas também abriu uma porta perigosa: a de fingir qualidade que não existe”, diz. Para ele, o problema não está na ferramenta em si, mas na intenção por trás do uso: “Está no uso que se faz dela quando o objetivo é impressionar em vez de expressar.”
Antes de qualquer ensaio, o fotógrafo segue uma regra simples: desligar o piloto automático. Não o da câmera, mas o do olhar. A ideia é evitar repetições e garantir que cada imagem carregue identidade própria, especialmente quando o trabalho envolve figuras públicas.
No dia a dia, Kaue admite utilizar recursos de inteligência artificial para otimizar processos técnicos. Mas faz uma distinção clara quando o assunto é retrato.
“Quanto mais humano o fotografado, menos espaço para automação. Celebridade é imagem, é narrativa, é confiança. Você não pode entregar uma versão fabricada de alguém e chamar isso de fotografia”, afirma.
Segundo ele, a mudança mais significativa não está apenas na produção, mas na recepção. O olhar do público evoluiu. “Tem uma geração inteira que cresceu vendo filtro e já sabe identificar quando algo não bate. Isso muda o jogo para quem trabalha com figuras públicas.”
Ver essa foto no Instagram
A discussão, no entanto, ainda é superficial no Brasil, na avaliação do fotógrafo. Para Kaue, o mercado insiste em priorizar estética em detrimento da responsabilidade: “Quando você altera significativamente a imagem de uma pessoa pública sem deixar isso claro, está criando uma ficção. E ficção tem consequência.”
Diante do avanço inevitável da tecnologia, ele acredita que o ponto de equilíbrio não será definido pelas ferramentas, mas pelas escolhas. “A tecnologia vai continuar evoluindo. A pergunta que o fotógrafo precisa responder é: ‘o que eu quero dizer com essa imagem?’. Porque se você não sabe responder isso, nenhuma ferramenta vai salvar o seu trabalho”, finaliza.
Ver essa foto no Instagram