Economia

Kanczuk: equipe econômica precisa ‘reagir à nova realidade’ dos EUA com Trump

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, afirmou nesta segunda-feira, 21, que a equipe econômica precisa “reagir à nova realidade” dos Estados Unidos com a eleição de Donald Trump para a presidência. Para o Brasil, o principal impacto deve ser a depreciação do real e a saída de capitais.

Segundo o secretário, a eleição de Trump causará um “aumento menor” no comércio internacional. Na economia americana, isso terá como resultado aumento da inflação, uma vez que haverá menor competição de importados, e redução do ritmo de crescimento. Já o plano de investimentos em infraestrutura deve causar mais crescimento nos EUA no curto prazo, bem como aceleração da inflação.


“Somando esses dois efeitos, a inflação dos EUA deve ser um pouco maior, e crescimento econômico não dá para saber, porque esses dois efeitos têm sentidos opostos”, disse o secretário. “No caso dos efeitos para o Brasil, com maior inflação americana, os juros americanos também sobem. O investidor se questiona se deve deixar dinheiro nos EUA ou em emergentes. O dinheiro vai para os EUA, porque o custo-benefício é maior, e a moeda dos emergentes deprecia e real perde do dólar.”

Kanczuk ressaltou, no entanto, que o impacto sobre o crescimento brasileiro não é claro, uma vez que o sinal sobre o crescimento dos EUA também é ambíguo. “Melhor cenário é saber que o câmbio estará desvalorizado. Melhor hipótese que podemos fazer em análise do efeito Trump é manter o crescimento”, disse o secretário. A equipe econômica, no entanto, optou por revisar a estimativa de PIB brasileiro para 2017 de 1,6% para 1%.

Produtividade

Kanczuk repetiu que em toda recessão é normal que as empresas tenham dificuldades, mas disse que o governo e a Fazenda trabalham em medidas para o aumento de produtividade.

“São medidas para tornar o procedimento de produção menos burocrático. A gente não pode resolver o problema piorando a situação fiscal, então medidas contrárias ao fiscal não fazem sentido como boa política econômica”, afirmou. “Com mais produtividade, o lucro e o crescimento virão”, completou.