Esportes

Kamila Valieva é autorizada a continuar com seu sonho olímpico em Pequim

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim-2022 estavam prestes a perder sua estrela, mas por enquanto, essa história está em suspenso. Após testar positivo em um exame antidoping no fim de dezembro, a jovem patinadora russa Kamila Valieva, de 15 anos, foi autorizada nesta segunda-feira (14) a permanecer na competição.

O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), sem se pronunciar sobre o caso em profundidade, confirmou o levantamento da suspensão provisória da adolescente, decidida na quarta-feira passada pela Agência Antidoping Russa (Rusada).


“Impedir a esportista de participar dos Jogos lhe causaria um prejuízo irreparável”, analisaram os três árbitros, quando sua pouca idade (menos de 16 anos) implica regras de provas específicas e sanções mais brandas.

Assim, após a perda de alguns favoritos, como Mikaela Shiffrin, sem medalhas nas três provas de esqui alpino que disputou, ou o patinador japonês Yuzuru Hanyu, que tentava seu terceiro ouro consecutivo e terminou apenas em quarto lugar, Pequim-2022 mantém uma de suas estrelas.

Embora não vá haver cerimônias de entrega de medalhas nas provas em que a patinadora prodígio russa subir ao pódio, pois o Comitê Olímpico Internacional (COI) reagiu afirmando que considera “inapropriado” organizá-las neste momento e prefere esperar que o caso seja esclarecido a fundo, o que normalmente demora vários meses.

A adolescente de 15 anos pode, no entanto, continuar defendendo suas chances de ouro olímpico na prova individual em sua primeira temporada na categoria sênior, embora nada impeça que ela seja sancionada dentro de vários meses e veja seus resultados, inclusive os destes Jogos, cancelados no futuro.

O programa curto feminino está previsto para começar na terça-feira e Valieva foi chave na vitória russa na competição por equipes há uma semana.

– Substância proibida pela AMA –

Valieva testou positivo para a trimetazidina, um medicamento proibido pela Agência Mundial Antidoping (AMA) desde 2014, pois favorece a circulação sanguínea. A substância foi detectada após um exame de controle feito em 25 de dezembro no campeonato russo, e o resultado só foi conhecido em 8 de fevereiro, um dia depois da conquista do ouro olímpico por equipes.

Esta “notificação tardia” do laboratório de Estocolmo encarregado da análise “impediu a esportista de reagir”, explicou à imprensa Matthieu Reeb, diretor-geral do TAS.

“Se os procedimentos tivessem sido realizados em um prazo de dez dias, com é habitual, não estaria aqui”, destacou.

A AMA, expressando também sua decepção, lamentou que a agência antidoping russa não tenha prevenido o laboratório sueco de que este exame era “prioritário”.

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOPC) criticou a mensagem dada aos esportistas com esta decisão e acusou diretamente a Rússia: “Este parece ser outro capítulo do desprezo sistêmico e generalizado pelo esporte limpo por parte da Rússia”, disse sua diretora-executiva, Sarah Hirshland.

A jovem atleta americana Sha’Carri Richardson, inabilitada para participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 por fumar maconha, também foi muito crítica e acusou as instâncias esportivas de racismo.

“Tudo está na (cor da) pele”, reagiu a velocista em mensagem no Twitter. “Poderíamos obter uma resposta séria sobre a diferença entre a situação dela e a minha?”, tuitou a velocista de 21 anos, que admitiu ter fumado maconha por causa da morte de sua mãe.

As notícias do teste positivo atrasaram a cerimônia de entrega de medalhas da prova por equipes, que acabou sendo cancelada, assim como todas as provas em que a russa ganhar medalhas, à espera de que o tema seja resolvido definitivamente.

Suspensa provisoriamente pela Rusada em um primeiro momento, quando foi conhecido o teste positivo, na terça passada, Valieva conseguiu no dia seguinte a suspensão desta medida por razões que permanecem um mistério.

Isso levou o COI e também a AMA e a Federação Internacional de Patinação (ISU) a recorrerem ao TAS com um recurso contra esta decisão.

– Eileen Gu em busca de mais ouros –

A decisão do TAS gerou reações divergentes nos comitês olímpicos russo e americano. Enquanto o primeiro comemorou a notícia, o segundo manifestou sua decepção.

Ao mesmo tempo, em nível esportivo, os Jogos continuam contando com Eileen Gu, depois que o novo ícone do esporte chinês se classificou para a final do slopestyle de esqui acrobático, prova na qual tenta a segunda das três medalhas que quer faturar, após ter levado o ouro no big air.

Em um dia bom para a China, Xu Mengtao levou o ouro no salto de esqui acrobático feminino, enquanto a vitória no monobob feminino, no bobsleigh, foi da americana Kaillier Humphries, enquanto a Áustria venceu no salto de trampolim por equipes.

Por fim, os franceses Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron levaram o ouro no torneio de duplas da patinação artística, depois de quatro títulos mundiais e uma prata olímpica há quatro anos.

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