Justiça suíça rejeita pedido da Itália em caso de incêndio

Ministério Público de Sion não reconhece Roma como parte lesada em tragédia com 41 mortos

Justiça suíça rejeita pedido da Itália em caso de incêndio

O Ministério Público de Sion rejeita o pedido do governo italiano para ingressar como parte civil na investigação do incêndio ocorrido na véspera de Ano Novo em um bar da estação de esqui de Crans-Montana. A tragédia deixou 41 mortos, incluindo seis adolescentes italianos, e 14 feridos. A decisão foi comunicada em 23 de julho ao advogado Romain Jordan, representante italiano em Genebra.

  • A justiça suíça rejeitou o pedido da Itália para se tornar parte civil na investigação do incêndio em Crans-Montana.
  • Magistrados suíços argumentam que a cidadania das vítimas ou os custos de assistência não conferem à Itália status de parte lesada.
  • O governo italiano já recorreu da decisão, classificando os argumentos da justiça suíça como “insustentáveis e obsoletos”.

Na decisão, os magistrados suíços afirmam que “nem a cidadania italiana de diversas vítimas, nem os custos incorridos pela República Italiana para prestar assistência aos seus cidadãos vítimas dos eventos sob investigação são suficientes para conferir o status de parte lesada”. Eles detalham que, para que um Estado seja reconhecido como parte lesada, não basta ser afetado por interesses públicos; é necessário que seja “diretamente afetado em seus direitos pessoais, tal como um particular”.

Os promotores do Cantão de Valais argumentam que o Estado, ao atuar como autoridade pública, defende interesses coletivos e, portanto, não pode ser considerado diretamente lesado em seus interesses individuais. Os crimes sob apuração – incêndio culposo, homicídio culposo e lesão corporal grave por negligência – protegem bens jurídicos como a vida, a integridade física, a saúde, o patrimônio e a segurança pública.

Qual a justificativa da promotoria suíça?

A Promotoria avalia que esses direitos pertencem às vítimas diretamente afetadas pelo incêndio, e não ao Estado do qual elas são cidadãs. Esta posição fundamenta a recusa em conceder ao governo italiano o status de parte no processo criminal, diferenciando o papel do Estado na defesa de seus cidadãos em relação a uma lesão direta de seus próprios direitos.

Em resposta à decisão, o Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que já apresentou recurso, descrevendo os argumentos adotados pela Justiça suíça como “insustentáveis e obsoletos”. O recurso da Itália visa rebater todos os fundamentos da decisão, citando inclusive a jurisprudência da Corte Europeia de Direitos Humanos para sustentar sua posição.

“Insistimos que o pedido de ingresso no processo como parte civil seja deferido”, enfatizou a Farnesina, o Ministério das Relações Exteriores italiano. A pasta reiterou que continuará defendendo os interesses das vítimas italianas e de seus familiares afetados pela tragédia em Crans-Montana.

Repercussão política na Itália

A decisão suíça também gerou repercussão no cenário político italiano. Licia Ronzulli, vice-presidente do Senado pelo partido Força Itália, classificou a rejeição como “mais uma afronta às vítimas e aos seus familiares”. Ronzulli elogiou a rápida ação do governo italiano em recorrer da medida, demonstrando a importância que a questão tem para as autoridades do país. (Da IstoÉ com ANSA)