Justiça de SP reconhece falhas da Enel em apagão de 2025

Decisão judicial rejeita argumento da empresa de que fenômeno climático exclui sua responsabilidade e aponta insuficiências de planejamento e resposta

Justiça de SP reconhece falhas da Enel em apagão de 2025

A Justiça de São Paulo reconhece falhas na prestação do serviço de fornecimento de energia pela Enel Distribuição São Paulo durante o apagão provocado por um ciclone extratropical em 9 e 10 de dezembro de 2025. O evento climático resultou em mais de 2 milhões de consumidores afetados na capital paulista.

Em resposta à ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), a Justiça rejeitou o argumento da concessionária de que o fenômeno climático, por si só, seria suficiente para excluir sua responsabilidade sobre os danos e a demora no restabelecimento do serviço.

A Justiça de São Paulo reconheceu falhas da Enel na prestação de serviço durante o apagão de 2025.

  • O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) ajuizou ação civil pública contra a concessionária.
  • A decisão judicial rejeita que o ciclone, isoladamente, exime a Enel de sua responsabilidade pelos problemas.

De acordo com o MPSP, embora o fenômeno climático tenha desencadeado as interrupções, essa não foi a causa exclusiva da extensão dos danos e da demora no restabelecimento. O Ministério Público acrescenta que eventos climáticos fazem parte dos riscos previstos na atividade e serviços prestados pela Enel.

“Por essa razão, [tais ocorrências] não afastam automaticamente a responsabilidade da concessionária, que deve manter infraestrutura, planejamento e capacidade operacional adequados para prevenir e reduzir os impactos sobre a população.”

Quais foram as falhas da Enel, segundo o MP?

Na ação, foram apontadas diversas falhas operacionais e estruturais da Enel. Entre elas, a concentração das equipes no horário comercial e a forte redução do efetivo durante a noite e a madrugada. Além disso, o MP destacou o uso insuficiente de veículos de grande porte e o emprego de equipes sem preparação para ocorrências complexas.

A baixa resolutividade dos atendimentos e as deficiências no controle da vegetação próxima à rede elétrica também foram citadas como fatores que agravaram a situação. Essas falhas, segundo a Justiça, contribuíram para a prolongada interrupção do fornecimento de energia.

Queda de árvores sobre carros na Rua Paula Ney, Vila Mariana, São Paulo, em 10 de dezembro de 2025. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Dados da interrupção de energia

Dados da Aneel registram 6.715 ocorrências de interrupção do fornecimento em 10 de dezembro de 2025. Desse total, 3.056 ocorrências, o equivalente a 46%, demoraram mais de 24 horas para serem solucionadas, atingindo 759.304 unidades consumidoras.

“O número de 6.715, portanto, não corresponde à quantidade de pessoas ou imóveis afetados, mas aos registros de interrupção na rede, cada um deles potencialmente capaz de alcançar diversos consumidores. Houve consumidores sem energia até o sexto dia após o evento climático, e a ocorrência mais longa durou 142,8 horas”, completou o MPSP.

A Justiça entendeu que os dados mostram que a intensidade do ciclone pode explicar o início das interrupções, mas não justifica a demora excessiva na recomposição do serviço. A decisão afirma que os prejuízos foram agravados por insuficiências de planejamento, manutenção e capacidade de resposta da concessionária.

O que diz a concessionária?

Por meio de nota, a Enel informou que sua atuação no evento climático severo iniciado em 10 de dezembro de 2025 foi compatível com a magnitude excepcional do fenômeno. Para a concessionária, o principal fator de impacto foram os ventos fortes e prolongados, que se estenderam por mais de dois dias consecutivos.

“Mesmo nesse cenário, a companhia apresentou resposta mais rápida do que nos eventos de novembro de 2023 e outubro de 2024: em nove horas, restabeleceu o fornecimento para 2,5 milhões de unidades consumidoras. Em 24 horas, 80% dos clientes impactados, cerca de 3,4 milhões, já estavam com o serviço normalizado.”

Segundo a empresa, a operação mobilizou cerca de 1,6 mil equipes ao longo do dia, período de maior concentração por ter produtividade maior do que à noite, quando há restrições de segurança e visibilidade. A Enel disse ainda que o número de equipes trabalhando para retomar a transmissão foi de 25% a 33% maior do que os parâmetros previstos no Plano de Recuperação apresentado à Aneel. Também reforçou que equipes de outras especialidades e capacitadas atuaram de forma complementar.

“A companhia reforça que vem apresentando evolução consistente nos indicadores de atendimento emergencial nos últimos três anos, como tempo médio de atendimento e interrupções prolongadas, que estão melhores do que a média nacional das grandes distribuidoras.”

Da IstoÉ