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Justiça nega pedido de liberdade e ex-presidente da Conmebol segue preso nos EUA

Quatro dias depois de negar um pedido de liberdade por razões humanitárias por conta da pandemia do novo coronavírus, a Justiça de Nova York, nos Estados Unidos, recusou nesta terça-feira uma nova solicitação de soltura, desta vez com o pagamento de uma fiança, do ex-presidente da Conmebol, o paraguaio Juan Ángel Napout, de 61 anos. Assim, ele segue preso no Instituto Correcional de Miami, na Flórida, por envolvimento em casos de corrupção na Fifa e na entidade sul-americana.

Preso na Suíça em dezembro de 2015, Napout se declarou inocente diante da Corte do Brooklyn, em Nova York, de aceitar propinas milionárias de empresas esportivas em trocas de contratos, mas foi declarado culpado por um júri popular dois anos depois. O ex-dirigente paraguaio foi sentenciado a nove anos de prisão em agosto de 2018.

“A Corte concluiu que o sr. Juan Ángel Napout não mostrou ‘evidência clara e convincente’ que ‘não poderia fugir'”, informou a juíza Pamela K. Chen em sua decisão. “Em todo caso, a Corte concluiu que o incentivo para o réu fugir agora é maior que quando recebeu prisão preventiva inicialmente, dado que está na prisão há aproximadamente 28 meses e encara a possibilidade de voltar à prisão por mais cinco anos se sua apelação não der certo”.

O Ministério Público se mostrou contra a possibilidade de prisão domiciliar, afirmando que Napout teria condições de fugir dos Estados Unidos. O paraguaio negou que pretendia fugir: “Nunca poderia ser um fugitivo, não é de minha natureza”.

Ao sentenciar Napout em 2018, a juíza Pamela K. Chen declarou que o ex-dirigente tinha “uma personalidade oculta” e “perpetuava a noção de ser um cara legal ao mesmo tempo que recebeu 3,3 milhões de dólares (pouco mais de R$ 17 milhões, na cotação atual) em propina e aceitou receber outros 20 milhões (R$ 103,6 milhões)”.

No último dia 30, em meio à pandemia da covid-19, a juíza concedeu liberdade provisória por questões humanitárias ao ex-presidente da CBF José Maria Marin, de 87 anos, julgado no mesmo processo de Napout e condenado a quatro anos de prisão.