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Justiça mantém Puccinelli na cadeia da Lama Asfáltica

A Justiça Federal em Campo Grande manteve na prisão da Operação Lama Asfáltica o ex-governador André Puccinelli (PMDB) e seu filho, o advogado André Puccinelli Júnior – capturados nesta terça-feira, 14, por suspeita de integrarem organização criminosa que teria desviado R$ 235 milhões de verbas públicas da União por meio de fraudes em licitações e concessão de créditos tributários a grupos empresariais em troca de propinas.

Durante audiência de custódia realizada na 3.ª Vara Federal de Campo Grande, no final da tarde desta terça, o juiz Ney Gustavo Paes de Andrade rejeitou pedido da defesa dos Puccinelli para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares.

O advogado Renê Siufi, que defende o ex-governador e seu filho, vai entrar com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3.ªRegião (TRF3) alegando que ambos são inocentes, que não há nenhuma prova de corrupção contra eles e que, soltos, não vão prejudicar as investigações.

O ex-governador e o filho foram presos na Operação Papiros de Lama, quinta fase da Lama Asfáltica, deflagrada pela Polícia Federal, em parceria com a Receita e a Controladoria-Geral da União.

Papiros de Lama foi montada a partir da delação premiada do pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda. Ele afirmou que viajava frequentemente a São Paulo para pegar propina em dinheiro vivo destinada a Puccinelli. Pelo menos R$ 20 milhões teriam sido repassados ao peemedebista, segundo o delator.

A PF atribui ao ex-governador ‘papel central’ na organização criminosa que se teria instalado no governo de Mato Grosso do Sul – o peemedebista chefiou o Executivo estadual por dois mandatos, entre 2007 e 2014.

Renê Siufi, defensor de Puccinelli e de seu filho, reagiu com veemência à versão do delator. “É inconsistente (a delação), ele (Ivanildo) fala que arrecadou até março de 2015. Nessa época, o André Puccinelli nem era mais governador. Só se ele (Ivanildo, o delator) estava arrecadando para alguém e para ele próprio”, declarou Siufi.

Renê Siufi disse que Puccinelli já foi ouvido três vezes na Polícia Federal sobre os fatos atribuídos a ele na Operação Lama Asfáltica. “Ele (Puccinelli) já falou sobre 90%, os outros 10% são referentes à delação (de Ivanildo Miranda) que é totalmente inconsistente.”

A prisão dos Puccinelli foi decretada com fundamento de que eles continuam praticando delitos, que a organização criminosa à qual supostamente pertencem é permanente e lava dinheiro.

“Achei estranho a ordem de prisão preventiva porque não tem sequer processo criminal contra o governador e o menino (André Júnior). Não tem processo e eles nem foram indiciados na Polícia Federal, foram ouvidos em declarações. Nunca vi isso em 47 anos de advocacia”, desabafou Renê Siufi.

A Operação Papiros de Lama atribui a Puccinelli Júnior emissão de notas fiscais frias para lavar dinheiro. “Não tem prova nenhuma contra o menino, ele nunca recebeu nenhum dinheiro ilícito”, afirma Renê Siufi. “Isso é uma bobagem, (o delator) vai ter que provar. Os irmãos Batista (Joesley e Wesley JBS) acabaram presos. Esse (Ivanildo Miranda, delator de Puccinelli) vai pagar R$ 3 milhões e não tem prova de nada do que diz.”