O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy perdeu seu recurso no Tribunal Supremo e será investigado por possível financiamento ilegal da campanha presidencial de 2007 com dinheiro do ditador líbio Muamar el Gadafi, de acordo com a decisão consultada pela AFP nesta quarta-feira (1º).
“Nem o interesse de ordem pública nem o de uma boa administração da justiça demandam a análise imediata deste recurso”, portanto “o processo será constituído de acordo com a lei”, explicou a disposição do presidente da câmara criminal da mais alta instituição da Justiça francesa, que não havia sido divulgada até hoje.
A decisão do Tribunal Supremo torna provável um novo julgamento contra Sarkozy, que se une à série de problemas jurídicos que marcaram sua saída da política em 2012.
Sarkozy (66 anos) e seus colaboradores estão sendo investigados por “corrupção passiva”, “financiamento ilegal de campanha eleitoral” e “associação de criminosos” por terem recebido milhões de euros do regime de Gadafi para financiar sua campanha de reeleição em 2007.
Um de seus colaboradores, o homem de negócios franco-libanês Ziad Takieddine, afirmou que entregou em pastas (entre 2006 e 2007) cinco milhões de euros procedentes do governo líbio ao chefe de equipe de Sarkozy, embora Takieddine tenha retirado sua declaração posteriormente.
Já condenado a um ano de prisão em março, e a outro no final de setembro por outros casos – veredictos dos quais recorreu -, o presidente francês se recusou, em 2016, a comparecer perante o juiz de instrução deste caso.
Emmanuel Piwnica, advogado de Nicolas Sarkozy, declarou que “lamenta essa decisão” da Justiça.