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Justiça francesa decidirá em maio sobre julgamento de empresas por queda do voo Rio-Paris

Justiça francesa decidirá em maio sobre julgamento de empresas por queda do voo Rio-Paris

(Arquivo) Mergulhadores recuperando parte da cauda da aeronave Air France A330 que caiu no meio do voo sobre o Oceano Atlântico enquanto voava do Rio de Janeiro para Paris, em 1º de junho de 2009 - BRAZILIAN NAVY/AFP/Arquivos


A justiça francesa anunciará em 12 de maio se realizará finalmente o julgamento sobre o acidente aéreo do voo Rio-Paris em 2009, informou nesta quinta-feira (4) uma fonte oficial à AFP.

A corte de apelações de Paris examinou nesta quinta-feira por cinco horas as alegações das famílias das vítimas e do Ministério Público, que rejeitam o arquivamento acordado em 2019 com a Airbus e a Air France, as duas empresas envolvidas no acidente.

A procuradoria-geral pediu que se anule o arquivamento e se pronunciou a favor de um julgamento contra as duas empresas por “homicídio culposo”.

Em 1º de junho de 2009, um Airbus A330 que fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Paris caiu no Oceano Atlântico. Todos os passageiros e tripulantes – 228 pessoas de 34 nacionalidades diferentes – morreram no acidente, o pior da história da companhia aérea francesa.

Em agosto de 2019, depois de uma década de investigações e disputas entre especialistas sobre as causas do acidente, juízes de instrução franceses decidiram pelo arquivamento.


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A Airbus, fabricante da aeronave, e a companhia aérea Air France tinham sido acusadas oito anos antes de “homicídio culposo”.

“Começávamos a perder a esperança e agora vemos a possibilidade de um julgamento”, disse à AFP dias antes da audiência desta quinta-feira Danièle Lamy, presidente da associação Entraide et Solidarité AF447 (Ajuda e Solidariedade AF447).

No auto do arquivamento de 29 de agosto de 2019, os magistrados consideraram que o acidente tinha sido provocado “claramente por uma combinação de elementos que nunca tinham ocorrido e que, portanto, evidenciavam perigos que não tinham sido percebidos antes”.

O Ministério Público, ao contrário, considera que a companhia aérea “cometeu negligência e imprudência” ao não fornecer a seus pilotos informação suficiente sobre o procedimento a adotar em caso das anomalias relacionadas com as sondas medidoras de velocidade após vários incidentes do mesmo tipo em meses anteriores.

Quanto à fabricante do avião, a Airbus, o MP considera que a empresa europeia subestimou “a periculosidade dos incidentes anemométricos após o congelamento das sondas”.

Segundo relatórios de especialistas, o congelamento durante o voo das sondas de velocidade Pitot provocaram uma perturbação nas medições de velocidade do Airbus A330 e desorientou os pilotos até que perderam o controle do avião.

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