Justiça extingue ação contra Anita Harley por dívida de elevadores em mansão

Empresária ligada às Lojas Pernambucanas era cobrada por contratos de manutenção; decisão considerou sua incapacidade jurídica à época das assinaturas

Justiça extingue ação contra Anita Harley por dívida de elevadores em mansão

A Justiça de São Paulo extinguiu uma ação de cobrança movida contra a empresária Anita Harley, ligada ao controle das Lojas Pernambucanas, por uma dívida de aproximadamente R$ 11,2 mil referente a serviços de manutenção de elevadores.

O processo havia sido apresentado pela empresa TK Elevadores em novembro de 2025 e envolvia contratos de manutenção preventiva e corretiva.

Um dos equipamentos atendidos ficava em uma mansão na capital paulista, onde Anita viveu antes de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, em 2016.

A sentença foi proferida em 5 de outubro de 2026 pela juíza Flavia Poyares Miranda.

Cobrança envolvia contratos de 2019 e 2023

A empresa responsável pelos elevadores buscava receber mensalidades que considerava pendentes.

Os contratos apresentados no processo foram formalizados em 2019 e 2023, diretamente em nome de Anita Harley.

Entretanto, a empresária já enfrentava graves limitações de saúde desde o AVC sofrido em 2016.

A condição clínica e a situação jurídica de Anita tornaram-se elementos centrais na análise da cobrança.

A defesa sustentou que ela já estava interditada judicialmente quando os contratos foram celebrados.

Justiça considerou requisitos da ação de cobrança

A cobrança foi apresentada por meio de uma ação monitória, procedimento judicial utilizado para exigir o cumprimento de determinadas obrigações com base em documentos.

Na decisão, a magistrada considerou a ausência de pressupostos processuais necessários ao prosseguimento da ação.

O entendimento acolheu argumento apresentado pelo curador dativo nomeado para representar a empresária no processo.

Segundo a defesa, a ação monitória não poderia prosseguir naquelas condições porque os contratos haviam sido formalizados diretamente em nome de uma pessoa que já estava interditada.

A extinção ocorreu por uma questão processual. Isso não equivale a uma análise definitiva sobre a efetiva prestação de todos os serviços cobrados.

Defesa afirma que Anita não se beneficiou dos serviços

O curador também apresentou documentos para questionar a responsabilidade da empresária pelos pagamentos.

Em relação à mansão de São Paulo, a defesa afirmou que o imóvel pertence a Sonia Aparecida Soares, conhecida como Suzuki, em razão de uma doação.

O representante sustentou ainda que Anita não teria sido beneficiária dos serviços realizados nos imóveis.

Segundo esse argumento, eventuais benefícios da manutenção dos equipamentos teriam sido recebidos por terceiros que ocupavam as propriedades.

Essas alegações integraram a defesa apresentada no processo.

Mansão estaria avaliada em R$ 50 milhões

O imóvel mencionado na ação fica na capital paulista e teria valor estimado em aproximadamente R$ 50 milhões.

A residência faz parte do contexto de disputas envolvendo o patrimônio e os interesses da empresária.

Desde o AVC sofrido em 2016, a situação pessoal e patrimonial de Anita Harley passou a ser acompanhada por processos judiciais.

A empresária está internada há anos, e as questões relacionadas à administração de seus bens provocaram diferentes controvérsias.

A ação movida pela empresa de elevadores representa um episódio específico desse cenário.

Outras disputas envolvendo Anita Harley

A cobrança pela manutenção dos elevadores não é o único processo envolvendo o patrimônio de Anita Harley. Em outubro, a IstoÉ noticiou que a empresária, internada desde 2016, também foi alvo de uma cobrança de R$ 62 mil por contas de gás atrasadas, relacionadas a imóveis na capital paulista.

A disputa pela administração de sua fortuna, estimada em R$ 2 bilhões, ganhou repercussão nacional após o lançamento do documentário O Testamento: O Segredo de Anita Harley. A produção, que se tornou um dos destaques do streaming, apresenta os conflitos familiares e judiciais envolvendo a herdeira das Pernambucanas.

A história também ganhou novos desdobramentos com o anúncio de uma continuação do documentário, intitulada A Clínica, que abordará relatos de internações em uma instituição psiquiátrica no interior de São Paulo.

Empresa deverá pagar despesas processuais

Com a extinção da ação, a TK Elevadores foi condenada ao pagamento das custas e despesas processuais, além dos honorários de sucumbência.

Esses honorários são valores devidos à parte vencedora, conforme as regras aplicáveis ao processo.

A decisão encerrou a cobrança na forma em que havia sido apresentada.

Não há, nas informações disponíveis, confirmação sobre eventual recurso contra a sentença.

Caso envolve empresária de família tradicional do varejo

Anita Harley integra uma família associada à história das Lojas Pernambucanas, uma das redes tradicionais do comércio brasileiro.

Sua condição de saúde e as disputas relacionadas ao patrimônio ganharam repercussão pública nos últimos anos.

O novo desdobramento judicial chama a atenção por envolver contratos firmados quando a empresária já estava sob interdição.

A decisão reforça a importância da representação jurídica adequada em negócios e processos que envolvem pessoas legalmente incapazes.

Da IstoÉ Gente