Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

A Justiça do Marrocos decidiu perseguir 65 migrantes, a maioria sudaneses, por terem participado da tentativa de entrada no enclave espanhol de Melilla, que terminou com 23 mortos, informou seu advogado à AFP nesta segunda-feira.

A promotoria do tribunal de primeira instância da cidade marroquina de Nador, na fronteira com Melilla, acusou 37 migrantes de “entrada ilegal em solo marroquino”, “violência contra agentes da força pública”, “tumulto armado” e “desacato”, declarou seu advogado, Khalid Ameza.

Um outro grupo, de 28 migrantes, será julgado por “participação em grupo criminoso com vistas a organizar e facilitar a imigração clandestina no exterior”, acrescentou Ameza.

Segundo o advogado, a maioria dos acusados procedia da região sudanesa de Darfur, que caminha para uma crise alimentar e onde episódios recentes de violência deixaram mais de 125 mortos e 50.000 deslocados. Também há pessoas procedentes do Chade, Mali e Iêmen.

A defesa pediu liberdade condicional para o conjunto dos acusados, mas a promotoria rejeitou o pedido, “levando em conta a gravidade dos fatos de que são acusados”, explicou o advogado. Eles faziam parte de um grupo de quase 2.000 migrantes que tentaram entrar à força na última sexta-feira no enclave espanhol de Melilla, ao norte do Marrocos.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos, órgão oficial marroquino, anunciou nesta segunda-feira a criação de uma “missão de informação” sobre os “eventos trágicos e violentos” causados pela tentativa de cruzamento da fronteira entre Nador e Melilla.