A Justiça da Itália autorizou nesta quinta-feira, 26, a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, condenada por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão foi da Corte de Apelação e ainda cabe recurso.
Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão após invadir o sistema do CNJ para incluir um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela também foi condenada a mais cinco anos por apontar uma arma e perseguir um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022 em São Paulo (SP).
Após a primeira condenação, Zambelli deixou o País e acabou presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.
Apesar da decisão desta quinta-feira, os advogados de Carla Zambelli podem recorrer à Corte de Cassação, a última instância do país. Depois, a decisão passará pelo Ministério de Justiça italiano, que dará a palavra final sobre a extradição. Ainda não há um prazo para acontecer.
Defesa irá recorrer
Em posicionamento divulgado nas redes sociais, a defesa de Carla Zambelli afirmou que a decisão da Corte de Apelação ocorreu em meio a questionamentos sobre a imparcialidade do colegiado. Segundo o advogado Fabio Pagnozzi, foi protocolado um pedido de substituição dos juízes por “diversas irregularidades” durante o rito processual. O pleito foi negado pela própria corte e subiu para análise da Corte de Cassação, o tribunal máximo da Itália.
A defesa sustenta que o objetivo do recurso é anular o processo atual para que a extradição seja discutida “do zero”, alegando vícios na condução do caso e influência política de advogados ligados ao governo brasileiro. Os representantes da ex-deputada têm o prazo de 15 dias para formalizar o recurso na Suprema Corte italiana.
Apesar da autorização judicial, a extradição não possui caráter imediato. Caso a Corte de Cassação mantenha o entendimento atual, o processo é encaminhado ao Ministério da Justiça da Itália. Cabe ao ministro Carlo Nordio a decisão final sobre a entrega da brasileira. De acordo com a defesa, caso o Ministério não se manifeste no prazo legal, a ex-deputada poderia ser colocada em liberdade.