Justiça condena dirigente do Flamengo a pagar R$ 50 mil por danos morais ao técnico Abel Braga

Divulgação/ Flamengo
Luiz Eduardo Baptista, o Bap do Flamengo Foto: Divulgação/ Flamengo

O vice de Relações Externas do Flamengo, Luis Eduardo Baptista, o BAP, foi condenado a indenizar em R$ 50 mil o atual treinador do Fluminense, Abel Braga. O processo em questão foi movido pelo técnico após o dirigente o chamar de “bêbado” quando ainda comandava o rubro-negro. As informações são da colunista Gabriela Moreira do GE.

Ao blog, o técnico disse que o montante, quando recebido, será destinado às famílias vítimas do incêndio no Ninho do Urubu.

A sentença foi proferida nesta sexta-feira, pela 4ª Vara Cível, do Fórum Regional de Pinheiros, em São Paulo e cabe recurso. Abel Braga informou ao blog que, quando receber, vai destinar o valor da indenização às famílias vítimas do incêndio no Ninho do Urubu. BAP atualmente é presidente do Conselho de Administração do clube.

“As pessoas públicas estão sujeitas a críticas e as pessoas têm liberdade para fazê-las. Mas há um limite. Esse direito de criticar foi usado de forma abusiva. A repercussão das falas do dirigente foram muito grandes. E tendo sido feita (as afirmações) por uma pessoa que conhece o Abel trouxe um efeito muito negativo a ele. Se quem conhece o Abel e lida com ele no dia-a-dia diz que ele estaria drogado ou bêbado, as pessoas que não conhecem o Abel tendem a acreditar”,  declarou ao blog um dos advogados do treinador, Renato Beneduzi, do escritório Sérgio Bermudes.

Na decisão, a juíza Marina Balester Mello de Godoy entendeu que houve uma usurpação da “liberdade de expressão” por parte de BAP:

“Em que pese o réu alegue que não tinha a intenção de ofender o autor e até já se retratou publicamente a respeito, está evidente que, adequadamente contextualizada, a declaração feita, mesmo que de modo informal, excedeu a mera crítica às escolhas técnicas do autor e usurpou a liberdade de expressão, porque, ao se questionar a sobriedade ou o uso de drogas pelo autor durante o exercício de sua profissão, durante uma entrevista, causou-lhe ofensas à honra e à sua reputação como treinador, mormente por ser figura pública e renomada no meio futebolístico. Não bastasse isso, as declarações foram feitas em canal acessível ao público, propagando-se rapidamente e causando significativa repercussão negativa, a evidenciar o cunho ofensivo das falas do réu”

Em sua defesa, o dirigente afirmou que não teve o objetivo de ofender o então treinador do Flamengo e pediu desculpas logo após a referida entrevia ao blog Ser Flamengo. No entanto, a juíza disse que a declaração de BAP foi no mínimo imprudente.

Relembre a fala de BAP:

“Houve um momento em que a gente achava, e que a gente discutia internamente entre a gente, que ele devia tá de sacanagem. A gente olhava ele dando entrevista e a gente falava: “cara, tem alguma coisa que a gente não tá entendendo. Ou ele bebeu, ou ele tá drogado. Não é possível que ele teja falando o que ele tá falando”.

Até o momento, o dirigente não se posicionou sobre a decisão judicial.