PANDEMIA * 2020

Juros nas alturas

Apesar de prometerem linhas de financiamento mais acessíveis, grandes bancos elevam taxas em até 70% e provocam protestos de varejistas

Juros nas  alturas

Os pequenos e médios empresários que contavam com recursos abundantes e juros mais baixos como uma solução eficaz e cidadã para superar o momento desafiador do coronavírus, ficaram frustrados. Ao procurarem os bancos para saírem do sufoco e honrar compromissos financeiros, pagando salários e credores, esses empresários bateram com a cara na porta ou encontraram juros ainda maiores. Conforme carta endereçada ao Banco Central, na terça-feira 31, representantes de associações de varejo, shoppings centers e lojistas, se queixaram do “aumento expressivo” dos juros, que subiram até 70% .

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, demonstra a preocupação do setor, que deve ser um dos mais afetados pelo isolamento social imposto pelo vírus. “Com os bancos privados, encontramos muitas dificuldades, inclusive aumento da dívida em até 50%. Não é possível que os bancos brasileiros não saibam lidar com uma crise dessas que abala os mercados do mundo todo”. No dia 16 de março, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) anunciou que os cinco maiores associados (que inclui também as instituições públicas Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) estariam abertos e comprometidos em atender pedidos de prorrogação em até 60 dias de vencimentos de dívidas de clientes pessoas físicas e micro e pequenas empresas para os contratos vigentes em dia e limitados aos valores já utilizados. Mas até agora essa boa vontade não se realizou.

Em carta aberta aos “senhores banqueiros”, assinada pelo “setor de bares e restaurantes”, o tom é de súplica: “Estamos pedindo ajuda real, verdadeira, que nos levante sem nos subjugar, que nos dê força e dignidade”. O apelo prossegue com uma lista de pleitos, entre os quais: crédito para capital de giro, taxas de juros próximas à Selic, carência de um ano para o primeiro pagamento e prazos acima de 48 meses. Apesar dos relatos de dificuldades dos empresários, os gigantes financeiros se defendem. O Bradesco informou que está à disposição para prorrogar por 60 dias as prestações. O Itaú Unibanco divulgou que recebe mais de 10 mil solicitações diárias e que já prorrogou mais de 140 mil contratos. Já o Banco do Brasil está prorrogando o pagamento das duas próximas parcelas.

A opção das fintechs

Para a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), não está definido como as agências vão se conectar com a direção das instituições bancárias para efetivar uma renegociação. A entidade também entende que será necessária a criação de um fundo garantidor de crédito para atender a todo o setor empresarial. “O ideal seria o Tesouro e o Banco Central poderem comprar títulos de empresas privadas, assim como está acontecendo nos Estados Unidos”, diz Fernando Pimentel, presidente da Abit. A ideia faz sentido até para o Banco Central, que informou sobre a necessidade de apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dando-lhe o poder de fazer diretamente compras de títulos privados. Enquanto uma solução com os bancos tradicionais não evolui, o vácuo pode ser preenchido pelas fintechs. Desde o dia 26 de março, elas também podem ceder carteiras para outros fundos além dos fundos de direito creditório (Fidcs). Em um momento de crise tão acentuado como o atual, toda ajuda é mais do que desejada. É necessária.

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