Economia

Juros fecham em queda com ata indicando Selic estável em 2% por longo período

Os juros futuros fecharam a terça-feira, 22, em queda ao longo de toda a curva, mas mais pronunciada nos vértices intermediários, com boa parte do alívio sendo patrocinado pela leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento manteve o tom “dovish” já visto no comunicado da reunião da semana passada ao reforçar o forward guidance de que a taxa Selic deve permanecer inalterada por um período prolongado. Com isso, as apostas para um aperto na Selic já este ano arrefeceram um pouco. A melhora do humor externo contribuiu para o recuo das taxas, que era maior pela manhã, perdendo força à tarde na medida em que o dólar voltou a subir e a renovar máximas perto dos R$ 5,50.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022, que ontem tinha voltado aos 3% pela primeira vez desde meados de julho, hoje fechou em 2,92%, de 3,003% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 4,44% para 4,35%. A taxa do DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,30%, de 6,364%, e a do DI para janeiro de 2027 recuou de 7,344% para 7,26%.

O destaque da ata foi o parágrafo 19, em que os diretores afirmam que “as condições para a manutenção do forward guidance seguem satisfeitas”. “É uma sinalização elegante para a interrupção do corte de juros. No meu entender, a Selic a 2,0% vai até o final de 2021, passando a ser elevado apenas no início de 2022”, afirma o economista-chefe Étore Sanchez, da Ativa Investimentos.

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Nas mesas de renda fixa, profissionais afirmam os vencimentos do miolo, como janeiro de 2023, foram os que mais reagiram por serem os que mais vinham sofrendo com a pressão dos leilões do Tesouro e dúvidas sobre a reação do Banco Central ao aumento da inflação de curto prazo. Porém, ainda assim, a curva mantém apostas minoritárias de algum aperto da Selic ainda em 2020.

Segundo cálculos do Haitong Banco de Investimentos, a curva projetava em torno de 20% de chance de alta de 0,25 ponto porcentual da Selic no Copom de outubro, ante 27% ontem, e para dezembro 42% de probabilidade, de 51% ontem.

“O BC está tentando segurar no grito a alta de juros no ano que vem. Se tivermos um pouco mais de aumento da atividade, a inflação de serviços volta a ficar pressionada e não sei se o BC vai conseguir segurar o aperto por muito tempo”, disse o operador de renda fixa da Terra Investimentos, Paulo Nepomunceno, acrescentando que a autoridade monetária está se apegando ao fato de a inflação seguir bem abaixo da meta. “Mas é a meta que está muito alta para o quadro que temos”, comentou.

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Os vencimentos mais longos tinham recuo firme de manhã, enquanto o câmbio estava bem comportado, mas o ritmo esfriou na etapa vespertina, com o dólar voltando a ficar perto dos R$ 5,50. Na percepção do mercado, este trecho não conseguirá emplacar uma melhora sustentável enquanto o governo não adotar medidas concretas que sinalizem austeridade fiscal, mas que também são impopulares num ano eleitoral. “A impressão é que o Congresso vai esperar as eleições municipais para tocar as reformas”, disse uma fonte.

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