Economia

Juros fecham em alta com IPCA-15 de outubro acima do esperado

Os juros futuros completaram a terceira sessão consecutiva de alta, que nesta sexta-feira foi mais expressiva nos trechos curtos e intermediários e, com isso, a curva acabou perdendo inclinação tanto em relação a ontem quanto à sexta-feira passada. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de outubro, acima do esperado e que provocou uma onda de revisões para cima no IPCA de 2020 e 2021, continuou sendo o principal condutor para os negócios à tarde.

Além das preocupações com o risco fiscal, a cautela com a inflação parece agora ter entrado de vez no radar dos investidores. As apostas para o Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira seguem inalteradas na manutenção da Selic em 2%, mas houve forte correção na precificação da taxa básica na curva para 2021 que é para onde está voltada a política monetária.

Se o índice de inflação não mudou a percepção para a Selic na semana que vem, pode exigir ajustes no forward guidance do Banco Central no comunicado, que até então indicava manutenção da taxa em níveis estimulativos por um bom período.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 nesta sexta abriu 20 pontos-base, o que é atípico para contratos de curto prazo. Fechou em 3,47%, de 3,275% no ajuste de quinta. A do DI para janeiro de 2023 subiu quase 30 pontos, terminando na máxima de 4,92%, de 4,655% no ajuste de quinta, e a do DI para janeiro de 2027 subiu de 7,374% para 7,47%.

A inflação medida pelo IPCA-15 dobrou de outubro para setembro, passando de 0,45% para 0,94%, acima do teto das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast (0,93%). Foi o maior resultado para o mês de outubro desde 1995 (1,34%).

Segundo a Tendências, a média dos núcleos saltou de 2,58% para 5,97% em termos anualizados, de setembro para outubro. Em 12 meses, a taxa acumulada é de 3,52%. Várias instituições elevaram suas projeções de inflação, como Credit Suisse, XP Investimentos e Barclays, neste e/ou no próximo ano, mas todas ainda seguem aquém das metas de 4% e 3,75%.

“Antes tínhamos o risco fiscal, mas a inflação estava controlada. Agora já temos os núcleos acelerando e a expectativa é de alguma mudança no forward guidance do BC no comunicado do Copom”, disse o gerente da Mesa de Reais da CM Capital Markets, Jefferson Lima, lembrando que o dia teve ainda outro dado negativo, que foi a queda no superávit da conta corrente em setembro, a US$ 2,32 bilhões abaixo da mediana das estimativas (US$ 2,97 bilhões) e do saldo de agosto (US$ 3,721 bilhões).

Até então, a piora do quadro fiscal era tida como o maior risco para o forward guidance, inclusive com alertas do próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Porém, vale lembrar que, além de condicionar a indicação futura à manutenção do atual regime fiscal, o comunicado de setembro citava que o Copom não pretendia “reduzir o grau de estímulo monetário, a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária, que atualmente inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022”.

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