Juros de um dígito viraram realidade

Tenho visto muitos economistas escrevendo sobre política. Como também não sou defensor da reserva de mercado, vou me arriscar no playground da economia.

De acordo com o Ministério da Economia, a despesa do governo federal com o pagamento dos juros da dívida pública cairá R$ 417,6 bilhões ao longo dos quatro anos do governo Bolsonaro. Tudo isso graças à queda da taxa básica (Selic), hoje em 4,5% ao ano. O montante é expressivo e representa quase 50% da economia prevista com a Reforma da Previdência, aprovada no ano passado pelo Congresso.

A redução de maneira saudável dos juros, algo que poucos acreditavam ser possível há alguns anos, deveu-se, em parte, a um conjunto de medidas adotadas na gestão do ex-presidente Michel Temer. Mas essa redução não veio acompanhada de mudanças estruturais.

Entre as alterações, a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP) nos financiamentos do BNDES. Os juros subsidiados cobrados pelo banco limitavam a atuação do Banco Central sob pressão inflacionária. Com uma proporção de 40% do crédito total sendo oferecido pelo BNDES (hoje em torno de 20%), o BC era forçado a aumentar os juros de forma desproporcional para controlar a inflação, já que tinha poderes para gerenciar apenas parte do crédito.

A recuperação da credibilidade do BC permitiu dissipar dúvidas quanto à meta de inflação definida pela autoridade monetária. Outra reforma importante foi a que implementou o controle do gasto público. Executada por meio de emenda constitucional que instituiu o teto de gastos, essa reforma determina que despesas e investimentos públicos se limitem aos valores gastos no ano anterior, corrigidos pela inflação medida pelo IPCA.

O controle da inflação foi outro item fundamental. A recessão profunda e prolongada que o país enfrentou entre 2014 e 2016 ajudou a quebrar a persistência inflacionária no setor de serviços. E, na época, o Brasil ainda foi beneficiado por uma conjuntura de redução de juros no mundo inteiro.

Com a expectativa de retomada do crescimento econômico, o próximo ciclo será de aperto monetário, o que significa aumento de juros. Entretanto, com baixa chance de que eles voltem aos dois dígitos. Para tanto seria preciso haver uma grave crise política e/ou fiscal ou, ainda, uma forte deterioração da economia global, tendências que não estão no radar.

A continuidade da agenda de reformas, como a tributária, a administrativa, o Brasil deve entrar numa rota de crescimento sustentável.

Com as reformas tributaria e administrativa, a economia brasileira vai decolar


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