Economia

Juros caem com alívio no câmbio e melhora na percepção de risco político

O mercado de juros começou a semana aparando o que foi considerado um excesso na reação negativa aos eventos políticos nas últimas sessões e as taxas passaram o dia todo em baixa, com a contribuição do recuo do dólar ante o real. O volume de contratos, porém, foi fraco, refletindo o meio-feriado nos Estados Unidos, assim como também tanto o noticiário quanto a agenda estiveram esvaziados nesta segunda-feira.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou com a 4,52% (sessão regular) e 4,53% (sessão estendida), de 4,549% no ajuste da sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 5,661% para 5,58% (regular) e 5,61% (estendida). A taxa do DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,22% (estendida) e 6,20% (regular), de 6,251%, e a do DI para janeiro de 2027 fechou a regular em 6,54% e a estendida em 6,58%, mesmo nível do ajuste anterior.

Segundo profissionais, o alívio nos prêmios deveu-se a uma correção de exageros quando as taxas subiram no fim da semana passada, após a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) juntamente com a falta de avanços no diálogo entre a China e os Estados Unidos na “fase 1” do acordo comercial.

“Houve um arrefecimento momentâneo das preocupações em relação ao Lula, com avaliações menos passionais. Mas isso vale para hoje, amanhã pode mudar”, disse o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal. “É uma incógnita a capacidade que Lula terá de aglutinar aliados em seu entorno, as rusgas no campo da esquerda não são facilmente conciliáveis. Só isso já atenua os riscos que foram exacerbados na sexta-feira”, explicou.

Além disso, há a leitura de que “Lula livre” pode servir de estímulo para o governo entregar resultados na economia, que atualmente é a área em que há o que mostrar. “Pode haver um maior pragmatismo e, com isso, os ruídos dentro do governo, que tanto têm atrapalhado, devem diminuir”, avaliou o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira. Ele acredita ainda que as turbulências políticas na Bolívia – convocação de novas eleições seguida de renúncia do presidente Evo Morales – neste fim de semana também contribuíram para ofuscar o “efeito Lula”.

Para o gestor Daniel Delabio, sócio-fundador da Exploritas e especialista em mercados financeiros latino-americanos, a sequência de crises na América Latina – Argentina, Chile, e agora a Bolívia – e as dúvidas sobre o futuro da economia mexicana expõem a instabilidade política e econômica da região, mas colocam o Brasil em vantagem competitiva. “Entre os países da América Latina ‘investíveis’, o Brasil é o único que tem uma história boa para o investidor: o PIB vai começar a crescer, a indústria tem se recuperado, o câmbio está estimulativo”, diz.

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