Júri popular de PMs acusados de matar delator do PCC é anulado

Decisão ocorre após quase nove horas de sessão e abandono do plenário pelos advogados de defesa no Fórum Criminal de Guarulhos

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O júri popular dos três policiais militares acusados de matar o delator do PCC Antônio Vinícius Lopes Gritzbach é anulado nesta segunda-feira, 22, no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. A sessão, que durou quase nove horas, foi encerrada após o abandono do plenário pelos advogados de defesa dos réus. Uma nova data para o julgamento ainda será marcada, sem previsão.

O que aconteceu

  • O júri popular que julgaria PMs acusados de matar um delator do PCC foi anulado em Guarulhos.
  • A anulação ocorreu após os advogados de defesa abandonarem o plenário, inviabilizando a continuidade da sessão.
  • O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo informou que uma nova data para o julgamento será designada.

O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo declarou que, “por conta da posição da defesa, fica prejudicado o trabalho que começaria hoje. Iremos designar uma nova data”. O advogado dos réus, Cláudio Dalledone, descreveu a dissolução do Conselho de Sentença como uma “atitude tresloucada” do promotor, reiterando que os defensores não renunciaram à defesa de seus clientes.

O dia do julgamento foi marcado por intensos confrontos entre acusação e defesa desde o início. Após o intervalo do meio-dia, o promotor Rodrigo Merli Antunes afirmou que o advogado Renan Pacheco Canto tinha o hábito de conversar com “bandido” e “matador de aluguel”. Em resposta, o defensor questionou o juiz sobre a presença de promotores “sérios, respeitosos e honestos” no plenário.

Por que a defesa abandonou o plenário?

À noite, uma nova discussão acalorada surgiu quando o promotor tentou abordar um ataque a tiros sofrido pelo advogado Mauro Ribas Junior em fevereiro de 2025, em Sorocaba. O juiz indeferiu a pergunta, mas o promotor insistiu, provocando um confronto verbal com os advogados de defesa. “O senhor está com mau hálito”, respondeu o promotor. Ele prosseguiu com a provocação: “Nas redes sociais é tudo leão, aqui são todos gatinhos”. Os defensores argumentaram que os ataques da promotoria decorriam de um suposto despreparo da acusação para o júri.

Ao longo do dia, sete das 21 testemunhas previstas foram ouvidas no processo. A primeira delas, um funcionário do aeroporto identificado apenas pelas iniciais W.S.S., relatou ter presenciado disparos em diversas regiões e trajetórias dentro do terminal. A defesa utilizou esse depoimento para reforçar a tese de que a ação dos policiais foi desorganizada e incompatível com o treinamento de policiais militares no uso de fuzis.

A segunda testemunha, identificada como S.L.O., voltava de uma viagem a Salvador quando foi atingida de forma superficial na barriga e buscou abrigo atrás de um elevador. Ela expressou que o episódio a abalou psicologicamente e que se sentiu incomodada com a divulgação de seu nome pela imprensa.

Quem eram as testemunhas ouvidas?

A terceira a depor foi Simone Dionizia Fernandes, viúva de Celso Araújo Sampaio de Novais, o motorista de aplicativo morto durante o ataque. Casada com ele há 21 anos e mãe de três filhos, hoje com 22, 15 e cinco anos, Simone relatou que o marido gravou um vídeo de dentro da ambulância logo após ser baleado. “Ainda não colocamos a vida em ordem, principalmente meu filho de 15 anos. O Celso era um pai excelente, fazia de tudo pelos filhos. Ele era dedicado, não deixava faltar nada”, disse ela. A situação financeira da família permanece difícil, pois Celso era o provedor principal. A mãe dele, que viajou de Brasília para acompanhar o júri, estava visivelmente emocionada antes do início da sessão.

A quarta testemunha foi o perito Leandro Lopes, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A defesa tentou invalidar seu depoimento, alegando que ele havia se reunido com o promotor antes do júri e tido acesso antecipado ao parecer técnico dos assistentes de defesa, o que, segundo os advogados, configuraria coação ao longo do processo. O juiz indeferiu o pedido. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirmou que o procedimento é legal e foi realizado para questionar um órgão oficial após a investigação do caso.

Danilo Lima Silva, motorista de Gritzbach, foi a quinta testemunha. Ele afirmou nunca ter visto o tenente Fernando Genauro presencialmente com o empresário, mas mencionou ter ouvido comentários de que os dois se conheciam. “Havia um comentário de que ele estava vendo um apartamento para fazer uma reforma, que uma empresa do Genauro iria reformar o apartamento do Vinícius”, relatou.