Desistência Jurandy Pacífico: Filho de Mãe Bernadete retira candidatura por segurança

A decisão de Jurandy Pacífico, motivada por receio de ameaças e pelos assassinatos de sua mãe e irmão, levanta preocupações sobre a segurança de lideranças quilombolas no país

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Foto: Imagem ilustrativa

Jurandy Pacífico, filho da líder quilombola Mãe Bernadete, anunciou a desistência de sua candidatura a deputado federal na Bahia. A decisão é motivada por receio de possíveis ameaças e temor de ser mais um membro da família silenciado, após os assassinatos de sua mãe e irmão, Binho do Quilombo.

O caso ressalta o persistente clima de insegurança que cerca defensores de direitos humanos e lideranças quilombolas no estado.

  • Jurandy Pacífico desistiu da candidatura a deputado federal pela Bahia por questões de segurança.
  • A decisão veio após os assassinatos de sua mãe, Mãe Bernadete, e seu irmão, Binho do Quilombo.
  • O filho de Mãe Bernadete foi aconselhado pela família e pelo movimento quilombola a priorizar sua própria vida.

A declaração de desistência foi concedida com exclusividade à Rádio Nacional antes mesmo da Justiça Eleitoral avaliar o pedido. Segundo Jurandy Pacífico, a tentativa de levar a voz dos quilombos para o Congresso Nacional foi interrompida diante do apelo dos próprios familiares.

Por que a decisão foi tomada?

“Por motivo de segurança, pela família estar me orientando para não sair, que eu não posso adentrar todos os lugares. Apesar de que o objetivo de me lançar candidato era mudar a realidade das comunidades quilombolas da Bahia, mas o sábio não é aquele que fala, é aquele que escuta. Recuei. Às vezes, é necessário dar um passo para trás para dar dois para frente”, afirmou Jurandy Pacífico ao justificar sua escolha.

Jurandy Pacífico também anunciou a renúncia em seu perfil oficial nas redes sociais. Em carta de próprio punho enviada à Justiça Eleitoral, ele classificou a decisão como “extremamente difícil e dolorosa”.

O filho de Mãe Bernadete citou que havia se candidatado pela melhoria das condições de vida das comunidades tradicionais e quilombolas da Bahia. Apesar da desistência, Jurandy Pacífico mencionou na carta de renúncia à candidatura que está certo de que seguirá com seus compromissos com os povos quilombolas e tradicionais.

Qual o impacto da desistência?

“A candidatura pode parar, mas a luta continua. Desistir dessa candidatura nunca foi e nunca será desistir da luta por segurança, seguimos em frente. A decisão pela segurança, pela família, pela sobrevivência é mais uma prova de luta e o legado continua. Hoje eu deixo a disputa eleitoral, mas nunca vamos deixar nossos princípios e nossos ideais”, pontuou Jurandy Pacífico.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, disse ter recebido a desistência de Jurandy Pacífico com tristeza. Ele lembrou que a Polícia Militar da Bahia mantém uma estratégia de segurança permanente desde o ocorrido para o filho e o neto de Mãe Bernadete.

“Recebo com muita tristeza a notícia de que Jurandy desistiu da sua candidatura a deputado, no sentido de que é sempre muito ruim que um defensor de direitos humanos, por qualquer razão, se sinta ameaçado, intimidado e se desestimule a colocar as suas ideias à disposição do processo eleitoral. Como secretário, me coloco à disposição de todos os defensores de direitos humanos para que nós possamos acompanhar o processo eleitoral com medidas de proteção e segurança que garantam a integridade e a participação política livre e desimpedida de todas as pessoas”, comentou Freitas.

Jurandy Pacífico é o único filho vivo de Mãe Bernadete, já que seu irmão, Binho do Quilombo, também foi assassinado devido à luta pelos direitos dos povos dos quilombos.

Diante desse contexto de violência, Jurandy Pacífico justificou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, após ouvir familiares, amigos e companheiros do movimento quilombola, foi aconselhado a priorizar a preservação da própria vida e da segurança.

“Depois de muita reflexão, compreendi neste momento que continuar com a candidatura poderia representar uma exposição ainda maior a riscos que não podem ser ignorados”, concluiu.