Julia Roberts nega que seu novo filme seja retrocesso para causa feminista

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Julia Roberts no Festival de Veneza em 29 de agosto de 2025 Foto: REUTERS/Yara Nardi

A atriz norte-americana Julia Roberts mergulha no mundo acadêmico em seu filme mais recente, “Depois da Caçada”, negando que a forma ambígua com que trata uma alegação de agressão sexual no campus seja politicamente incorreta.

Dirigido pelo italiano Luca Guadagnino e também estrelado por Ayo Edebiri e Andrew Garfield, o filme estreia nesta sexta-feira, 29, no Festival de Cinema de Veneza, levando Roberts ao famoso tapete vermelho do Lido pela primeira vez em sua carreira.

Roberts interpreta Alma Olsson, uma professora de filosofia de Yale cuja vida é abalada quando uma de suas alunas favoritas acusa seu amigo e colega de longa data de agressão sexual.

O drama investiga como acadêmicos supostamente liberais enfrentam questões de lealdade, poder e identidade quando confrontados com linhas divisórias geracionais.

Ao falar com repórteres antes da estreia, Roberts rebateu as sugestões de que o filme poderia ecoar padrões culturais que lançam suspeitas sobre sobreviventes, especialmente as mulheres negras, ao mesmo tempo em que preservam a ambiguidade em relação aos homens acusados de agressão. “Não estamos fazendo reivindicações, estamos retratando essas pessoas nesses momentos”, disse Roberts.

“Estamos desafiando as pessoas a terem uma conversa e a ficarem emocionadas com isso ou enfurecidas com isso. Depende de você… se fazer esse filme serve para alguma coisa, conseguir que todos conversem entre si é a coisa mais empolgante.”

A estrela de Hollywood, que ganhou um Oscar em 2001 por “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento”, disse que adorou a chance de interpretar uma personagem conflituosa e comprometida, como Olsson, que é viciada em analgésicos e tem dificuldades para reagir à alegação de agressão.

“É nos problemas que estão as coisas mais interessantes, certo? … É como um dominó. Quando um cai, de repente, para onde quer que você se volte, há um novo desafio. E é isso que faz valer a pena levantar e ir trabalhar de manhã”, afirmou ela.

Guadagnino disse que o filme trata da colisão de perspectivas concorrentes, em vez de oferecer um veredicto moral claro. “Todos têm sua própria verdade. Não é que uma verdade seja mais importante que a outra”, declarou.

Ele acrescentou que também viu o filme como um retrato da busca pelo poder, com a personagem de Roberts buscando avançar na carreira dentro da atmosfera politicamente tensa de Yale.

“Quando vejo a ambição de querer algo além das outras pessoas, fico bastante interessado, porque é uma condenação”, disse Guadagnino.

“Depois da Caçada” está sendo exibido fora de competição em Veneza, o que significa que não está na disputa pelo prestigioso prêmio Leão de Ouro, que será entregue em 6 de setembro.