A atriz Júlia Almeida, de 43 anos, usou as redes sociais para falar pela primeira vez sobre a morte do pai, o autor de novelas Manoel Carlos. Em uma publicação no Instagram, ela compartilhou fotos da infância e abriu o coração sobre como tem enfrentado o luto desde a partida de Maneco, que morreu em 10 de janeiro, aos 92 anos, no Rio de Janeiro.
No texto, Júlia refletiu sobre o primeiro mês sem o pai. “Ontem completou um mês da partida do meu pai. Talvez seja estranho admitir, mas a morte é o único destino certo — ainda que sejamos ensinados a acreditar apenas na permanência da vida”, escreveu. Ela também destacou a força da mãe, Bety, companheira de Manoel Carlos por 47 anos. “Muitos imaginavam que ela iria desmoronar — eu mesma temi — mas o que vi foi o contrário: uma força silenciosa que nos aproximou ainda mais.”
A atriz compartilhou ainda reflexões sobre espiritualidade e ancestralidade, lembrando o avô materno, Pedro, figura marcante em sua infância. Segundo ela, foi a mãe quem trouxe a imagem reconfortante de que Maneco estaria sendo recebido pelo sogro. “Minha mãe disse que gosta de imaginar meu pai sendo recebido por seu pai, meu avô Pedro”, contou.
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Criada entre diferentes referências culturais — da mãe boliviana criada no Acre ao avô nordestino, a quem descreve como “um autêntico filho de Xangô” —, Júlia ressaltou a espiritualidade como parte essencial de sua formação.
Ao recordar o avô, falou sobre sua presença intensa e afetiva. “Presença viva, gargalhada fácil, cura nas ervas, nos chás, nas rezas e nos banhos — pé no chão. Ancestralidade em movimento”, definiu, destacando a conexão que mantém com ele mesmo após sua partida.
Júlia também revelou que passou os últimos 30 dias em silêncio e recolhimento. “Depois de 30 dias de silêncio e recolhimento, escolho falar com serenidade”, afirmou. Para ela, a certeza de que o pai está sendo acolhido por “amor verdadeiro” traz conforto. “Escrever um post é fácil. O cuidado cotidiano transcende. Axé”, concluiu.