BUENOS AIRES – O ex-jogador argentino Diego Maradona, que faleceu em 2020, apresentou “sinais de alerta” compatíveis com insuficiência cardíaca que teriam sido ignorados pelos profissionais de saúde durante o tratamento domiciliar antes de sua morte. A afirmação foi feita pelo perito forense Carlos Mauricio Cassinelli na última terça-feira (11), em Buenos Aires, durante o julgamento de sete profissionais acusados de negligência médica que pode ter contribuído para o óbito do ídolo.
- Julgamento de negligência médica sobre a morte de Diego Maradona prossegue na Argentina com depoimento de perito.
- O perito forense Carlos Mauricio Cassinelli afirmou que Maradona apresentou sinais claros de insuficiência cardíaca que foram desconsiderados.
- A equipe médica teria mantido o tratamento domiciliar mesmo ciente dos sintomas de piora progressiva, o que é questionado pelo especialista.
Carlos Cassinelli coordenou a junta médica criada em 2021 pela Justiça argentina para analisar as circunstâncias da morte de Maradona. Em seu depoimento, ele detalhou que o ex-jogador apresentava sinais de piora progressiva nos dias que antecederam o óbito, como edema nos membros inferiores, inchaço nos dedos, dificuldade para respirar, hipertensão e frequência cardíaca anormalmente elevada.
Sinais ignorados de piora do quadro de Maradona
“Ninguém foi verificar a causa daquele inchaço”, declarou o médico no tribunal, classificando a situação como um risco potencialmente fatal. O edema, segundo o perito, indicava acúmulo de líquido associado à dificuldade do coração para bombear o sangue adequadamente.
“Esta acumulação de líquido, aliás, era um sinal secundário de insuficiência cardíaca. O coração não consegue bombear a quantidade de sangue que recebe, e o líquido começa a espalhar-se para outras partes do corpo”, explicou Cassinelli, reforçando a gravidade dos sintomas observados.
Tratamento domiciliar foi um erro na avaliação médica?
Cassinelli afirmou ainda que a equipe médica tinha conhecimento dos sintomas, mas não alterou o tratamento nem a estratégia de acompanhamento do ex-jogador. Para o perito, a decisão de manter Maradona em tratamento domiciliar após a alta hospitalar configurou um erro grave na conduta dos profissionais.
Segundo a reconstituição apresentada, Maradona passou cerca de 12 horas em agonia antes de morrer. O ex-jogador do Barcelona e do Napoli sofreu uma insuficiência cardíaca e um edema agudo de pulmão aproximadamente duas semanas após ser submetido a uma cirurgia para a retirada de um hematoma subdural, em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos.
Os sete réus negam responsabilidade pela morte e sustentam que Maradona, que possuía histórico de dependência de cocaína e álcool, morreu por causas naturais. (Da IstoÉ com ANSA)