Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

A França conhecerá nesta quarta-feira (29) o que a justiça reserva para os acusados dos piores atentados em Paris desde a Segunda Guerra Mundial, que deixou 130 mortos em uma noite horror em novembro de 2015, após 10 meses de processo.

A leitura do veredicto deve começar às 17H00 (12H00 de Brasília), de acordo com o anúncio do presidente do tribunal, Jean-Louis Périès, na segunda-feira ao final do 148º dia do julgamento no Palácio de Justiça de Paris.

A audiência final foi marcada pelas últimas palavras dos acusados, incluindo Salah Abdeslam, o único integrante vivo dos comandos que atacaram em 13 de novembro de 2015 vários pontos de Paris e o Stade de France, em Saint-Denis.

“Não sou um assassino e se for condenado por assassinatos, vocês cometeriam uma injustiça”, declarou o francês de 32 anos, que voltou a pedir desculpas aos sobreviventes e parentes das vítimas.

Adeslam enfrenta o risco de ser condenado à maior pena prevista no Código Penal da França, a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, sentença solicitada pela acusação. Os advogados de defesa consideram que esta seria uma “pena de morte social” e afirmam que ele renunciou a explodir a carga presa ao seu corpo na noite dos ataques.

“A opinião pública pensa que eu estava nos bares, atirando contra as pessoas, que estava no Bataclan. Vocês sabem que a verdade está no sentido contrário”, afirmou Absdelam ao tribunal, antes do início das deliberações.

Para a Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT), o principal réu, preso na Bélgica em 18 de março de 2016, quatro dias antes dos atentados contra o metrô e o aeroporto de Bruxelas (32 mortos), tentou ativar seu cinturão de explosivos.

“Ele tem as mãos manchadas com o sangue de todas as vítimas”, afirmaram os representantes do Ministério Público.

A maioria dos outros 13 acusados presentes – seis são julgados à revelia – reiteraram “arrependimentos” ou pedidos de “desculpas”. Alguns expressaram “condolências” às vítimas. Muitos afirmaram “confiar na justiça”.

Mais de seis anos depois de uma noite de horror que deixou um rastro de sangue no Stade de France, nos bares da capital e na casa de espetáculos Bataclan, a defesa alertou contra uma “justiça de exceção”.

Os atentados aconteceram em um contexto de ataques na Europa, enquanto uma coalizão internacional lutava contra o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque. Milhares de sírios chegavam por sua vez ao continente europeu para fugir da guerra em seu país.

As penas solicitadas contra os 20 acusados vão de cinco anos de prisão até prisão perpétua sem liberdade condicional para Abdeslam e dois ex-dirigentes do grupo Estado Islâmico, que foram considerados mortos na região da Síria e Iraque.

mdh-asl-aje-tjc/zm/fp