Juiz nega recurso e estátua de Lisipo deve voltar à Itália

ANCONA, 5 DEZ (ANSA) – A justiça italiana determinou nesta terça-feira (4) que a estátua “Juventude Vitoriosa”, atribuída ao escultor grego Lisipo, seja restituída à Itália. A obra está atualmente no museu Getty, de Malibu, nos Estados Unidos que a comprou em 1977 por US$ 3,7 milhões.   

A Suprema Corte italiana rejeitou o recurso do museu contra a ordem de execução imediata do confisco de propriedade “onde quer que seja”, pedido pelo juiz Giacomo Gasperini, da cidade de Pesaro,em junho. A Corte considera que a estátua faz parte do patrimônio do Estado e é um bem jurídico indisponível, ou seja, inerente à existência do Estado italiano.   

“Esperamos que os Estados Unidos tomem providências para devolver o Lisipo para Itália”, disse o ministro da Cultura italiano, Alberto Bonisoli.   

“Continuaremos a defender nosso direito de ter a obra. A Lei e os fatos não justificam o retorno ao governo italiano de uma escultura que foi exposta ao público de Los Angeles por quase meio século”, disse Lisa Lapin, vice-presidente de comunicações do Getty.Caso o museu se negue a cumprir a sentença, os italianos pretendem recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.   

A estátua foi encontrada em 1964 por pescadores da cidade de Fano, que não contataram as autoridades na ocasião. Após passar por diversos donos, a obra acabou nas mãos de um negociante alemão, que a vendeu para o museu norte-americano. O Getty alega que a compra ocorreu nos moldes da Lei.   

O caso começou em 2007, quando a associação cultural “Le Cento Città” apresentou queixa ao Ministério Público de Pesaro, que resultou na conclusão de três juízes que consideraram que a escultura é um bem indisponível, que pertence ao patrimônio do Estado. “Aqui não está em jogo só o Lisipo. Se a linha de argumentação do Getty for adotada pelos tribunais, toda a nossa herança cultural desapareceria’, diz Tristano Tonnin, advogado do grupo.   

A estátua de bronze tem um metro e meio de altura e dataria do século IV a.C. (ANSA)