Juca de Oliveira ficou conhecido como Dr. Albieri, de ‘O Clone’; veja a trajetória

Ator e dramaturgo teve carreira de mais de seis décadas e marcou gerações com papéis em novelas e nos palcos

Juca de Oliveira
Juca de Oliveira durante sua atuação como Dr Albieri em 'O Clone'; novela foi um dos maiores marcos na carreira do ator Foto: Gianne Carvalho/TV Globo

O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu neste sábado, 21, aos 91 anos. Com mais de seis décadas de carreira, ele se consolidou como um dos nomes mais respeitados da dramaturgia brasileira, com passagens marcantes pela televisão, teatro e cinema.

Natural de São Roque, o ator iniciou a trajetória artística nos palcos, ao lado de nomes consagrados como Aracy Balabanian e Glória Menezes. A passagem pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) ajudou a consolidar sua formação, com participações em montagens clássicas como O Pagador de Promessas e A Morte do Caixeiro Viajante.

A entrada na televisão ocorreu ainda nos anos 1960, pela TV Tupi, em teleteatros e programas de humor. O reconhecimento nacional veio em 1969, ao protagonizar Nino, o Italianinho, papel que o projetou para o grande público.

Nos anos seguintes, consolidou espaço na dramaturgia com personagens marcantes. Um dos mais lembrados é João Gibão, da primeira versão de Saramandaia, dentro do universo de realismo fantástico da trama.

Personagens icônicos

Ao longo da carreira, Juca transitou por diferentes gerações de novelas. Nos anos 1990, esteve em produções como Fera Ferida, Os Ossos do Barão e Torre de Babel.

Um dos papéis mais emblemáticos veio no início dos anos 2000, como o cientista Albieri em O Clone, personagem que ganhou repercussão dentro e fora do Brasil.

“O maior desafio foi o contato com vários cientistas que nos assessoravam. É impossível desenvolver a criação de uma personagem como o cientista Albieri sem se envolver emocionalmente. A ovelha Dolly, o primeiro mamífero a ser clonado na Escócia, ainda estava viva quando gravávamos ‘O Clone’. Acreditávamos que ela e outros clones humanos aprimorariam a nossa vida social. Não sofreríamos mais. Clones de entes queridos voltariam para a nossa alegria e felicidade”, relembrou Juca, em uma entrevista à Globo, quando a novela retornou ao ar no Vale a Pena Ver de Novo em 2021.

Nas décadas mais recentes, seguiu ativo em produções de grande alcance, como Avenida Brasil, Flor do Caribe e O Outro Lado do Paraíso.

Teatro e cinema

Paralelamente à televisão, construiu trajetória consistente no cinema, com destaque para O Caso dos Irmãos Naves, baseado em um episódio real de injustiça no país. Também participou de produções como Bufo & Spallanzani e De Onde Eu Te Vejo.

No teatro, assinou textos e montagens ao longo da carreira, consolidando-se também como dramaturgo. Entre os reconhecimentos, acumulou prêmios como o Troféu APCA e distinções no Festival de Gramado.

Nos bastidores, era visto como um nome de referência pela versatilidade e pela capacidade de transitar entre diferentes linguagens. A morte encerra uma trajetória marcada por personagens densos e presença constante na cultura brasileira.