Nesta quinta-feira, 1º de outubro, o Dia Internacional do Café é celebrado em todo o mundo, e a forma de consumo da bebida mais popular passa por uma transformação impulsionada pelas novas gerações. Jovens consumidores valorizam cada vez mais o aspecto artesanal, a experiência e preparações mais lentas e personalizadas. A evolução histórica do café revela mudanças significativas nos hábitos de consumo, do básico ao experiencial.
A evolução histórica do consumo de café pode ser dividida em três ondas distintas. A primeira, que abrange do final do século 19 até meados do 20, foi caracterizada pela presença da bebida como um item básico nos lares, sem grandes preocupações com a origem ou o tipo do grão.
A segunda onda, que teve início no pós-guerra e se estendeu até a década de 1990, é marcada pela popularização do “espresso” e pela experiência de consumir café fora de casa, além do surgimento de grandes redes de cafeterias.
A história das três ondas do café
Já a terceira onda, que ganhou força a partir dos anos 2000, é definida pela valorização da experiência sensorial e da qualidade do produto. O café deixou de ser visto apenas como uma bebida e passou a ser tratado como um produto artesanal complexo, em um movimento semelhante ao que ocorre com o vinho.
Ao mesmo tempo, os consumidores passaram a valorizar a origem dos grãos e métodos de preparo filtrados manualmente, como V60, prensa francesa e Aeropress, por exemplo.
“O café passa a ser uma experiência por causa dessa busca por qualidade e, para se diferenciar, a indústria se desenvolve e cria novas formas. A experiência nasce para que seja valorizada toda a cadeia de qualidade”, explicou o barista José Cordeiro, professor da Università del Caffè da illycaffè em São Paulo, em entrevista à ANSA.
Por que a busca por qualidade molda a experiência?
O assunto foi debatido em um evento realizado pela illy em São Paulo, que contou com a presença de jornalistas e influenciadores, destacando a relevância do tema no cenário atual.
Um dos queridinhos da nova geração de apaixonados por café é o cold brew, preparado por meio da infusão de grãos moídos em água fria por um longo período. O resultado é uma bebida mais suave, refrescante e adocicada, com menor amargor e acidez, atraindo paladares diversos.
Como o cold brew e bebidas elaboradas conquistam os jovens?
Além da atenção à qualidade e à experiência proporcionada aos clientes, as cafeterias também passaram a preparar bebidas mais elaboradas, incluindo opções com rodelas de limão, refrigerantes, calda de caramelo e chantilly, expandindo o leque de sabores.
“Os jovens buscam métodos de preparo diferentes. Eles não estão só preocupados com a qualidade, eles querem que uma experiência aconteça, gostam de uma explicação e de uma bebida mais exótica, sempre estão buscando uma nova cafeteria, um novo lugar e um novo método”, afirmou Cordeiro.
Tendências atuais e a coexistência de diferentes estilos
Embora esse estilo mais “slow” e elaborado tenha ganhado força nos últimos tempos entre os jovens, a forma de consumir café da terceira onda não anula as das duas anteriores, de acordo com José Cordeiro. As diferentes maneiras de apreciar a bebida se sobrepõem, e os métodos mais tradicionais continuam presentes entre muitos amantes do café. Da IstoÉ com ANSA.