Comportamento

Jovens, importantes vetores do coronavírus e população difícil de dissuadir

Jovens, importantes vetores do coronavírus e população difícil de dissuadir

Bar lotado em Ibiza em 31 de julho de 2020 - AFP/Arquivos

Egoístas, irresponsáveis e perigosos? Os jovens são apontados por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e por autoridades da área como aceleradores dos focos de coronavírus, mas são uma população difícil de dissuadir em pleno verão no hemisfério norte.

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“Perguntem: eu realmente tenho a necessidade de comparecer a esta festa?”: depois de se referir diretamente aos jovens no fim de julho, a OMS insistiu neste tema, na quinta-feira, em um discurso de seu diretor de Emergências Sanitárias, Michael Ryan.

A chegada das férias e a suspensão dos confinamentos provocaram a saída às ruas, em larga escala, de pessoas com idades entre 15 e 25 anos, ansiosas por diversão.

As casas noturnas são consideradas pelos profissionais de saúde como ninhos da COVID-19. A Suíça, um dos primeiros países a reabrir as discotecas, sentiu o problema.

Em Genebra, entre 40% e 50% dos casos detectados na última semana de julho “estavam ligados a pessoas que frequentaram discotecas e bares, locais com áreas de dança, ou onde as pessoas ficam muito próximas”, afirmou o professor e diretor do Serviço de Prevenção de Infecções do Hospital Universitário de Genebra, Didier Pittet.

Em outros países, as discotecas permanecem fechadas, ou reduzidas a simples bares com as pistas de dança proibidas, como em Ibiza, uma das capitais mundiais das festas.

Isso não impede os jovens e seu desejo de diversão, com muitas festas ao ar livre.

Perto de Manchester, festas de música eletrônica reuniram entre 2.000 e 4.000 pessoas. Em Londres, a polícia atua para desmantelar festas ilegais.

Em Paris, o Bosque de Vincennes virou o epicentro das “free party”, festas clandestinas de música eletrônica, sem o uso de máscaras, ou distanciamento social.

Para os organizadores, como Antoine Calvino, “a festa é vital. É uma válvula de escape e uma zona de tolerância sem igual”.

– Confinamento ou liberdade total –

A Alemanha também está em alerta. O diretor do Instituto Robert Koch, Lothar Wieler, chama as festas de “temerárias”.

“Os jovens jovens, apesar de estatisticamente menos suscetíveis a ficarem gravemente doentes, podem infectar suas famílias”, advertiu.

O número de contágios, em geral assintomáticos, aumenta.

No Canadá, as pessoas com menos de 39 anos representam a maior parte dos novos casos. Os jovens “não são invencíveis” ante o vírus, destacou a coordenação de saúde pública.

Em todos os países, as autoridades tentam reduzir o fenômeno.

O epidemiologista do Ministério da Saúde da Espanha, Fernando Simón, destaca que os jovens representam “o grupo mais difícil de controlar, com um estilo de vida e vontade viver muito diferentes dos outros”.

Ele sugeriu algum tipo de controle, que poderia incluir “um mecanismo punitivo, mas sem demonizar estas pessoas”.

É difícil, porém, encontrar um equilíbrio no discurso direcionado ao grupo.

“O que os jovens entenderam?”, questiona o sociólogo Mariano Urraco. “Antes era confinamento, agora liberdade. Para eles, não se trata de liberdade condicional, mas de liberdade total”, explicou.

A prefeitura de Madri criou uma campanha sobre a importância do uso da máscara, apesar do incômodo que provoca.

O vídeo mostra jovens bebendo cervejas, depois em uma discoteca, uma UTI e no final uma cerimônia de cremação, com a frase: “Há coisas que provocam mais calor que uma máscara. Proteja-se, proteja a todos”.

– Imunidade geracional –

Diante da impotência das autoridades, alguns propõem o pragmatismo.

“Deixem os jovens serem infectados, não vamos enviá-los para o Exército”, sugere Eric Caumes, especialista em doenças infecciosas, do hospital Pitié-Salpétrière, em Paris.

Como os jovens não respeitam as restrições, ele propõe tirar proveito da situação: “Este grupo etário poderia adquirir de maneira mais rápida uma imunidade coletiva. Mas os idosos teriam que ser protegidos com máscaras dentro das casas”.

“O ideal seria que todos os menores de 30 fossem imunizados de forma natural e que conseguíssemos proteger os maiores de 50 até a chegada de uma vacina ou tratamento eficaz”, conclui.

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