Cultura

Jovens demais para morrer

Em “Old Guard”, que estreia essa semana na Netflix, Charlize Theron interpreta a líder de um grupo de imortais mercenários que luta para salvar o mundo

Crédito: Divulgação

GUERREIRA Charlize Theron como Andy: líder da velha guarda (Crédito: Divulgação)

Em “A Vida Secreta das Abelhas”, de 2008, a diretora Gina Prince-Bythewood usou o poder da abelha rainha em uma colmeia como metáfora de personagens femininos que lutavam para dar um novo sentido a suas vidas. Em seu novo filme, a luta de um grupo liderado por uma mulher é literal: “Old Guard”, que estreia essa semana na Netflix, traz Charlize Theron no papel de Andy, uma mercenária imortal que comanda uma trupe de guerreiros com a missão de salvar o mundo.

GRAPHIC NOVEL Adaptação: dos quadrinhos para o streaming (Crédito:Divulgação)

O filme é baseado na graphic novel homônima criada pelo ilustrador Leandro Fernandez e pelo escritor Greg Rucka, que assina o roteiro nessa adaptação. As cenas de ação são bem coreografadas e mantêm o ritmo do filme em estado permanente de tensão, mas “Old Guard” chama a atenção por outra razão: a mensagem politicamente correta, globalizada, representada pelas diversas etnias e gêneros do elenco. Além da matriarca Andy (a sul-africana Charlize Theron), temos uma guerreira negra dos EUA (interpretada por Kiki Layne), um belga (Mathias Schoenaerts), um italiano (Muca Marinelli) e um árabe (Marwan Kenzari). Os personagens de Marinelli e Kenzari trazem outro componente original à história: formam um casal gay, característica ainda rara em filmes de ação. Esse elenco diversificado, que conta ainda com personagens orientais e latinos, já está presente na graphic novel. “A ideia da diversidade me atraiu desde o início”, afirma Gina. “Esse grupo de guerreiros representa as diferenças presentes na população mundial, o que não é muito comum em filmes de ação. Sou uma artista, mas também sou parte do público. E, como tal, gosto de me ver representada”, afirma a diretora. “Os imortais já estão lutando há tanto tempo que a origem de cada um deixa de ser importante”, completa Kenzari. “O filme é um exemplo fantástico de personagens de culturas diferentes combatendo juntos pelo que acreditam”, acrescenta Marinelli.

“Não gostaria de viver para sempre. A vida é especial porque é breve. Ser imortal só seria bom se o mundo fosse perfeito, mas ver os mesmos erros de sempre é cansativo” Chiwetel Ejiofor, ator (Crédito:Divulgação)

Imortalidade

Viver tão próximo da imortalidade incomodou o ator Chiwetel Ejiofor, que interpreta um cientista que investiga os guerreiros da “Velha Guarda”. “Não gostaria de viver para sempre. A vida é especial porque é breve. Além disso, eu me preocuparia com as pessoas que teria que deixar para trás”, diz Ejiofor. “Se o mundo fosse perfeito eu até gostaria de ser imortal, mas ver as pessoas cometendo os mesmos erros de sempre é cansativo.” O ator Mathias Schoenaerts concorda: “A humanidade avançou em termos tecnológicos, fomos para o espaço, pensamos em colonizar Marte. O poder da ciência diz muito sobre a mente humana”, afirma.

“A maneira como atuamos em sociedade hoje, no entanto, é pior porque revela que não aprendemos nada com o passado.” O filme termina de maneira aberta e pode se tornar uma franquia – a graphic novel tem muitas edições.
Para Gina Prince-Bythewood, essa possibilidade existe, mas ainda não há nada confirmado. “Se o público quiser, com certeza teremos histórias para contar.”

DIVERSIDADE Elenco multicultural: diversas etnias e gêneros (Crédito:Divulgação)

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