A nova geração do cinema brasileiro celebra um marco significativo no cenário internacional com o sucesso da jovem diretora Fernanda Neu, de 23 anos. Seu primeiro curta-metragem, “A Mixtape para o Fim do Mundo”, não apenas estreou em um dos mais importantes festivais qualificadores para o Oscar, como também já acumula prêmios e elogios da crítica, reforçando o excelente momento da produção audiovisual brasileira no exterior.
Trajetória no cinema
Fernanda Neu sempre soube que queria trabalhar com cinema. A jovem diretora investiu em sua formação, realizando cursos especializados que a prepararam para o desafio de criar narrativas visuais. Sua dedicação precoce ao ofício reflete uma geração de cineastas brasileiros que não espera pela oportunidade perfeita, mas a constrói com as próprias mãos.
Durante a faculdade em Los Angeles, Fernanda desenvolveu muito mais do que técnica cinematográfica. Ela aprendeu sobre disciplina, hierarquia de produção e, principalmente, a importância do trabalho em equipe. Como ela mesma relata, a experiência acadêmica foi fundamental para construir um networking essencial no mercado audiovisual.
“A faculdade foi ótima para eu começar a encontrar essa voz, embora eu sinta que ainda estou nesse processo. Eu quero fazer algo que as pessoas assistam e se divirtam. Não precisa ser uma comédia, mas quero que elas saiam com um sentimento bom”, afirma Fernanda sobre sua filosofia criativa.
Fernanda logo percebeu uma lacuna no cinema produzido por jovens diretores. Enquanto muitos colegas optavam por narrativas pesadas e dramáticas, ela buscava algo diferente. “Eu sempre percebia que pessoas jovens costumam fazer trabalhos muito parecidos: ou terror, ou coisas muito sérias e tristes. A galera fazia umas coisas muito pesadas, e eu ficava pensando: por que não desenvolver algo mais original? Algo que mostre a voz de vocês como diretores?”, reflete a diretora sobre suas influências artísticas.
A gênese de “A mixtape para o fim do mundo”
O projeto que levaria Fernanda ao reconhecimento internacional nasceu de uma motivação profundamente pessoal. Seu primo, que é o maior fã de seus filmes, tem autismo, e ela queria criar algo especial para ele: divertido e capaz de agradar a todos os tipos de público. Inspirada em clássicos dos anos 1980, como “Os Goonies”, “Ghostbusters” e “E.T.”, Fernanda concebeu uma aventura leve e visualmente interessante. O filme narra a história de duas crianças que, convencidas de que um asteroide destruirá o planeta, embarcam em uma missão para chegar à NASA e salvar o mundo.
A escolha da NASA como cenário não foi aleatória. O campus da faculdade de Fernanda ficava a apenas dez minutos de uma sede da agência espacial americana. Ela aproveitou a oportunidade para fazer um tour guiado por um engenheiro da NASA, esclarecendo todas as suas dúvidas científicas e validando a viabilidade narrativa do projeto. “Eu queria fazer um filme para ele — mas também para todo mundo. A história seria sobre crianças tentando chegar até a NASA porque o menino acredita que um asteroide vai acabar com o mundo. Porque, honestamente, esse é exatamente o tipo de coisa que o meu primo faria: ele chegaria para mim e diria ‘Fernanda, o mundo vai acabar, vamos até a NASA?’. E se eu dissesse sim, a gente iria. Ele tem essas ideias icônicas”, explica Fernanda sobre a inspiração do curta.
O que torna a história de Fernanda ainda mais impressionante é a forma como ela conseguiu viabilizar o projeto. Reunindo sua equipe, Fernanda mobilizou mais de 40 pessoas para o set de filmagem. No entanto, enfrentou um obstáculo inesperado: quebrou a perna logo após terminar o roteiro. Precisou esperar seis meses para se recuperar antes de finalmente filmar seu projeto. A resiliência demonstrada nesse período já revelava o caráter de uma cineasta determinada.
Sucesso nos festivais americanos, o curta teve sua estreia no prestigiado LA Shorts International Film Festival, um evento que qualifica produções para concorrer ao Oscar — uma validação extraordinária para uma cineasta iniciante. A obra foi exibida no icônico TCL Chinese Theatre, em Hollywood, palco historicamente reservado para grandes estreias da indústria cinematográfica.
O filme vem construindo uma trajetória de sucesso no circuito de festivais dos Estados Unidos. No Indie Short Fest, “A Mixtape para o Fim do Mundo” foi o grande destaque, recebendo os prêmios de Melhor Direção, para Fernanda Neu, Melhor Atriz, Melhor Cinematografia e uma Menção Honrosa por seu Design de Produção.
O reconhecimento consolida a visão artística da diretora carioca, que buscou criar uma obra original e com uma voz autêntica. Atualmente, o projeto está em circulação em diversos festivais americanos, e respostas de seleções adicionais ainda estão aguardadas.
A obra está disponível na PBS, uma das principais redes públicas e plataformas de distribuição audiovisual dos Estados Unidos, com alcance mensal de mais de 120 milhões de espectadores.
Com apenas 23 anos, Fernanda Neu já demonstra uma maturidade artística e profissional rara entre cineastas iniciantes. Seus prêmios e reconhecimentos internacionais abrem portas para novos projetos e oportunidades na indústria cinematográfica global. “Eu sou viciada em acompanhar a trajetória de artistas bem-sucedidos, e ninguém fez a obra-prima da vida logo que saiu da faculdade. Mas todos fizeram algo que já mostrava a própria voz artística, entende?”, reflete Fernanda sobre suas ambições futuras.
O sucesso de “A Mixtape para o Fim do Mundo” em solo americano não é apenas uma vitória pessoal para Fernanda, mas também um sinal de que a nova geração de cineastas brasileiros está pronta para conquistar o mercado internacional. Com narrativas autênticas, visão artística clara e determinação inabalável, diretores como Fernanda Neu representam o futuro do cinema brasileiro no mundo.
A expectativa é que o filme continue sua jornada pelo circuito de festivais dos Estados Unidos, potencialmente abrindo caminho para exibições em outros mercados internacionais.
Para Fernanda, o próximo passo é consolidar sua carreira como diretora: “Quero continuar explorando novas histórias criativas com muita diversão, originalidade e profundidade emocional”, finaliza ela.
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