Jornalistas protestam com fechamento de veículos de mídia após reformas de Maduro

Jornalistas protestam com fechamento de veículos de mídia após reformas de Maduro

Trabalhadores de veículos de comunicação protestaram nesta quarta-feira na cidade venezuelana de Barquisimeto contra o fechamento de jornais e demissões, atribuídas por uma associação nacional de imprensa às medidas econômicas do governo.

“Não nos tirarão o direito de informar”, gritavam os jornalistas dos estados de Lara, Yaracuy e Portuguesa (centro-oeste), mostram vídeos publicados pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) no Twitter.

Pelo menos sete jornais regionais e uma emissora fecharam na semana passada após os anúncios econômicos, enquanto dois jornais provinciais liquidaram sua equipe e tentarão continuar trabalhando na versão digital.

O SNTP denuncia que o impacto das reformas, que incluem um aumento de 3.400% do salário mínimo a partir deste mês, agravou a situação da imprensa em meio ao que considera uma política “sistemática” do governo Nicolás Maduro de “acabar com a mídia independente”.

Muitos jornalistas venezuelanos recebem o salário básico, equivalente a cerca de 30 dólares.

De acordo com o sindicato, além dos fechamentos de veículos, o jornal nacional El Universal, um dos mais antigos do país com 109 anos de história, notificou seus trabalhadores de que não poderá pagar os novos salários e pediu-lhes que retirassem o chamada “cartão da pátria”.

Trata-se de um cartão eletrônico para ter acesso a programas sociais, que a oposição denuncia como mecanismo de controle social, e por meio do qual o governo prometeu subsidiar por 90 dias aumentos salariais em pequenas e médias empresas.

A asfixia econômica se soma ao que o SNTP descreve como uma escalada de “ataques” a veículos de comunicação por parte do governo socialista para limitar a liberdade de expressão.

Segundo a ONG Espaço Público, 51 veículos deixaram de operar na Venezuela no ano passado – 46 rádios, três emissoras e dois jornais – devido a sanções do governo, problemas econômicos e falta de insumos, como o papel jornal, monopolizado pelo Estado.