Jornalistas palestinos detidos em prisões israelenses entre outubro de 2023 e janeiro de 2026 sofreram “abusos sistemáticos”, segundo um relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgado nesta quinta-feira(19).
Dos 59 entrevistados, “todos, exceto um, relataram ter sido submetidos ao que qualificaram como tortura, maus-tratos ou outras formas de violência”, indicou o organismo, com sede em Nova York.
Jodie Ginsberg, diretora do CPJ, instou a comunidade internacional a “tomar medidas” diante dos abusos denunciados. “A magnitude e a coerência desses depoimentos apontam para algo mais do que condutas inadequadas isoladas”, afirmou.
Segundo o CPJ, os jornalistas relataram espancamentos, violência sexual, imobilizações prolongadas em posições dolorosas e exposição a música em volume alto, latidos e ruídos de explosões. Também mencionaram condições insalubres, falta de atendimento médico e privação de alimentos.
O CPJ informou que os entrevistados perderam, em média, 23,5 quilos durante a detenção.
Yousef Sharaf, um dos jornalistas, mencionou abscessos em feridas causadas pelos espancamentos e que outro detido, um cirurgião, realizou operações improvisadas devido à falta de atendimento médico adequado.
O CPJ registrou pelo menos 94 jornalistas e um trabalhador da imprensa palestinos detidos entre outubro de 2023 e janeiro de 2026. Até 19 de fevereiro, 30 continuavam atrás das grades.
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