Jornalista é preso em Roma por forjar atentado contra colega

Ex-aliado de Silvio Berlusconi teria planejado explosão para alavancar popularidade e carreira política de Ranucci

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A polícia italiana prendeu nesta segunda-feira (10) o jornalista e empresário Valter Lavitola em Roma, acusado de encomendar um atentado contra a casa de Sigfrido Ranucci, um dos mais renomados jornalistas investigativos do país. O ataque, ocorrido em outubro de 2025, que destruiu carros e provocou grande comoção, teria sido planejado por Lavitola para alavancar a popularidade de Ranucci, sem o conhecimento da vítima, visando a projetos políticos futuros.

+ Polícia italiana prende jornalista por ordenar atentado

  • A polícia italiana prendeu o jornalista Valter Lavitola, acusado de forjar um atentado contra o colega Sigfrido Ranucci.
  • Lavitola teria planejado a explosão em frente à residência de Ranucci em outubro de 2025 com o objetivo de aumentar sua popularidade.
  • O atentado, que não feriu ninguém, provocou grande comoção na Itália e não teve a participação ou conhecimento de Ranucci.

Na noite de 16 de outubro de 2025, uma bomba foi detonada em frente à residência de Ranucci, âncora do popular programa “Report”, da emissora pública RAI, e destruiu os carros dele e de sua filha, que havia estacionado no local 20 minutos antes.

Ninguém ficou ferido, mas o ataque provocou uma onda de consternação na Itália, com manifestações de solidariedade de toda a classe política e protestos da sociedade civil.

Após meses de investigação, a polícia prendeu nesta segunda-feira o também jornalista e empresário Valter Lavitola, ex-aliado do finado ex-premiê Silvio Berlusconi e que teria encomendado o atentado para impulsionar a popularidade de Ranucci, porém sem o conhecimento dele, com fins eleitorais.

A Justiça também ordenou a prisão do cidadão camaronês Gomes Clesio Tavares, acusado de ter atuado como intermediário entre Lavitola e os quatro autores materiais da explosão, que estão detidos desde o fim de junho. Tavares está foragido.

Por que o atentado foi encomendado?

Segundo comunicado divulgado pela Arma dos Carabineiros, que efetuou a prisão de Lavitola, o suspeito “concebeu o projeto delituoso e deu mandato a Gomes para identificar os indivíduos capazes de realizar o atentado diante da casa” de Ranucci.

O próprio Lavitola e Tavares realizaram uma “visita exploratória” à residência do jornalista da RAI em 15 de setembro de 2025, como parte do planejamento do ataque.

Lavitola e Ranucci eram amigos, e a ordem de prisão emanada por um juiz de instrução de Roma afirma que o atentado foi encomendado “exclusivamente para aumentar a popularidade” da vítima e “acelerar os projetos” do suspeito “na esfera política”. A trama para simular um ataque remete a outros casos de atentado forjado que chocaram a Itália.

“Se, de fato, o objetivo era promover a ascensão política de Ranucci e, evidentemente, garantir para si [Lavitola] um papel de liderança no novo cenário político previsto, não há dúvida de que, na concepção do suspeito, o ato criminoso pretendia parecer um ato de intimidação ou retaliação aos olhos da vítima e da opinião pública, mas nunca para colocar a segurança do jornalista [Ranucci] em perigo real”, diz o documento.

No entanto, de acordo com o juiz, “não há nenhum elemento para afirmar” que Ranucci sabia dos planos de Lavitola. “As conclusões obtidas levam-nos a crer que o jornalista foi vítima de manipulação por parte do suspeito, devido, por um lado, à astúcia refinada deste último e, por outro, ao profundo vínculo que se estabeleceu entre os dois”, acrescenta a ordem de prisão.

A suspeita é de que Lavitola pretendia aproveitar a visibilidade de Ranucci, que vive sob escolta desde 2014 e é alvo de frequentes pressões do mundo político por conta das denúncias apresentadas em seu programa, para candidatá-lo a primeiro-ministro nas próximas eleições parlamentares. O acusado teria inclusive encomendado uma pesquisa de intenção de voto para avaliar a aceitação de Ranucci entre os eleitores.

Quem é valter lavitola?

Lavitola é um personagem controverso na Itália e se tornou conhecido a partir dos anos 1990, quando estabeleceu relações com o ex-premiê Silvio Berlusconi, de quem seria aliado por mais de uma década, no papel de editor da influente revista “L”Avanti!”.

Em março de 2013, no entanto, foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por tentativa de extorsão contra o próprio Berlusconi, sob a acusação de pedir 5 milhões de euros para ficar em silêncio em um inquérito sobre prostituição ilegal envolvendo o ex-primeiro-ministro.

Já em julho de 2015, foi sentenciado junto com Berlusconi em um processo sobre compra e venda de votos no Senado para derrubar um governo de centro-esquerda, mas ambos se beneficiaram da prescrição das penas.