Jornalista reconstrói origens italianas de Ayrton Senna em novo livro

PALERMO, 13 MAR (ANSA) – Antes das primeiras pole positions, das vitórias sob chuva e dos três títulos mundiais, a história do piloto brasileiro Ayrton Senna começou em uma pequena cidade da Sicília, Siculiana, de onde sua bisavó emigrou para o Brasil em 1894.   

A narrativa, que mais se assemelha a um romance, foi descoberta pelo jornalista italiano Giacinto Pipitone em arquivos municipais e contada no livro “Il tempo dei Senna – Le origini di Ayrton in Sicilia” (“A era dos Senna – As origens de Ayrton na Sicília”, em tradução livre).   

A obra, já disponível nas livrarias, reconstrói a trajetória da família do futuro tricampeão mundial de Fórmula 1 e revela as raízes italianas do “mito brasileiro”.   

Com 272 páginas, o livro começa com uma frase que se repete como um mantra na família do brasileiro: “Os Sennas não acreditam em destino”. E é justamente essa crença que serve de fio condutor em uma história que entrelaça história, memória e esporte.   

A ideia foi também o guia da bisavó de Ayrton, Giovanna Magro, e sua mãe, Angela, quando deixaram a Sicília, assoladas pela crise econômica, rumo ao Brasil a bordo do navio a vapor Matteo Bruzzo, uma das embarcações que na época transportavam milhares de emigrantes, em 1894.   

A travessia do oceano representa um dos momentos centrais da narrativa: uma jornada marcada por medos, esperanças e a vontade de mudar o próprio destino.   

Segundo a história reconstruída por Pipitone, essa mesma determinação parece antecipar o caráter de seu bisneto Ayrton Senna, destinado um século depois a se tornar um dos pilotos mais icônicos da história do esporte.   

O romance constrói, portanto, uma narrativa em duas linhas temporais: a Sicília do final do século XIX e a carreira do campeão brasileiro, sempre conectando passado e futuro.   

A pesquisa de Pipitone culmina simbolicamente no degrau mais alto do pódio do Grande Prêmio do Japão de 1988, quando Ayrton conquistou seu primeiro título mundial, assistido por Neyde Senna, mãe do piloto e neta de Giovanna.   

A busca pelas origens italianas de Senna começou com jornalistas brasileiros que reconstruíram a árvore genealógica do campeão no 30º aniversário de sua morte, mas parou em um nome: Giovanna Magro.   

A partir daí, Pipitone iniciou seu trabalho em Siculiana, como membro da Comissão de Cultura de Targa Florio e cofundador do museu da cidade dedicado às origens de Senna. Seu trabalho permitiu recuperar certificados dos Senna e de Giovanna Magro nos arquivos da prefeitura, reconstituindo a história que antecedeu a lenda brasileira.   

Já o museu, batizado de “Astro”, atraiu cerca de 5 mil visitantes em seus primeiros nove meses de funcionamento.   

(ANSA).