Jornalista italiano admite ter forjado atentado contra si próprio

Adriano Cappellari admitiu ter simulado ataque à sua casa em Enego para se passar por alvo da máfia

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Um jovem jornalista italiano confessou ter forjado um atentado contra sua própria residência para se passar por vítima do crime organizado. Adriano Cappellari, de 20 anos, admitiu a farsa em uma carta entregue à procuradora Alessia Grenna, que investiga o caso em Vicenza, na Itália. O episódio, que gerou comoção e solidariedade de figuras políticas, ocorreu no fim de maio, em Enego.

  • Um jornalista forja atentado em sua própria casa na Itália para simular perseguição do crime organizado.
  • Adriano Cappellari confessou ter simulado o ataque com cartuchos de gás e ameaças, buscando atenção e comoção pública.
  • A fraude foi desmascarada por câmeras de segurança e a compra online de artefatos, levando o jovem a admitir a culpa e pedir perdão.

O falso atentado ocorreu no fim de maio, em Enego, no norte da Itália, quando cartuchos de gás foram incendiados na entrada da residência do jornalista durante a madrugada. O “autor” do ataque também deixou uma carta contendo fotos de Cappellari com um “x” sobre o rosto e ameaças ao padre Maurizio Patriciello, conhecido por sua luta contra a máfia Camorra, e à primeira-ministra Giorgia Meloni.

O jornalista chegou a receber mensagens de solidariedade da premiê Meloni, que pediu que ele não se deixasse “intimidar” pelas supostas ameaças e defendeu que a Itália precisava de “jovens corajosos como ele”, bem como de ministros, governadores, prefeitos, lideranças do Parlamento, sindicatos e expoentes partidários. No fim de julho, no entanto, veio à tona que Cappellari estava sendo investigado por suspeita de forjar o atentado, em um inquérito que apura possíveis delitos de incêndio, calúnia e simulação de crime.

Como a farsa foi descoberta?

Segundo os investigadores, foi o próprio Adriano Cappellari quem incendiou cilindros de gás diante de sua casa, como ficou evidenciado por imagens de câmeras de segurança dos arredores. A atitude do jornalista é comparável a outros casos de violência que chocaram o país, como o em que um homem se suicidou na Itália após esfaquear desconhecida em ônibus.

Além disso, os policiais descobriram que Cappellari foi a única pessoa em Enego que havia encomendado pela internet os artefatos utilizados no crime. Da mesma forma, eram falsas três cartas ameaçadoras que ele dizia ter recebido entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Acuado pelo inquérito, Cappellari compareceu ao Ministério Público de Vicenza nesta sexta-feira e admitiu a farsa. “Estou aqui hoje porque sinto o dever de pedir desculpas”, disse ele na carta entregue aos procuradores. “Muitos acreditaram em mim, me defenderam e sofreram comigo. A todos eles, peço sinceramente perdão, porque traí sua confiança”, acrescentou.

As consequências do ato e o pedido de perdão

No documento, o jornalista explicou que se deixou “dominar pela emoção, pelo medo e por um profundo mal-estar pessoal”, em um período de “forte contraposição” política em seu município. “Perdi a lucidez e fiz um gesto sem realmente perceber as consequências que teria na minha vida e na de muitas outras pessoas”, ressaltou Cappellari, que diz estar vivendo “um drama difícil de lidar”.

Ele ainda prometeu “colaborar plenamente com a autoridade judiciária” e se ofereceu a dom Patriciello para dar “uma pequena e concreta contribuição em prol de quem vive em situações difíceis”. “Sei que isso não apagará o ocorrido, mas espero que meu compromisso possa significar um primeiro passo para tentar reparar, ao menos em parte, o dano que causei”, concluiu. Antes mesmo da confissão, dom Patriciello já havia se pronunciado e dito que desculpava o jornalista. “Você é muito jovem, peça perdão e se levante. Da minha parte, o perdão já partiu, mas me ligue se precisar”, afirmou o padre na semana passada.

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