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Glenn Greenwald pede à Justiça que rejeite denúncia contra ele

Crédito: AFP/Arquivos

Glenn Greenwald revelou as gravações que questionam a imparcialidade do combate à corrupção no Brasil e foi um dos que entrevistou, em 2013, Edward Snowden sobre seu maciço vazamento de documentos de vigilância implementados pelos EUA (Crédito: AFP/Arquivos)

O jornalista Glenn Greenwald pediu à Justiça nesta quarta-feira (22) que rejeite a denúncia apresentada contra ele pelo Ministério Público Federal (MPF). As informações são do G1.

A petição foi apresentada à 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal. Agora, o juiz federal Ricardo Leite deve decidir se aceita ou não a denúncia do MPF. Se ele aceitar, o jornalista se torna réu no processo.

Na terça-feira (21), o MPF denunciou Glenn Greenwald e mais seis pessoas por crimes relacionados à invasão de celulares de autoridades brasileiras. Para os procuradores, provas coletadas na investigação demonstram que o jornalista auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões.

O MPF afirma que durante a análise de um MacBook apreendido, com autorização da Justiça, na casa de Walter Delgatti, foi encontrado um áudio de um diálogo entre Luiz Molição e Glenn. A conversa teria ocorrido logo após a divulgação, pela imprensa, da invasão sofrida pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

Segundo os procuradores, nesse momento, Molição deixa claro que as invasões e o monitoramento das comunicações telefônicas ainda eram realizadas. Ele teria ainda pedido orientações ao jornalista sobre a possibilidade de “baixar” o conteúdo de contas do Telegram de outras pessoas antes da publicação das matérias pelo site The Intercept.

O MPF narra que Greenwald teria orientado o grupo a apagar as mensagens que já foram repassadas para o jornalista de forma a não ligá-los ao material ilícito, “caracterizando clara conduta de participação auxiliar no delito, buscando subverter a ideia de proteção a fonte jornalística em uma imunidade para orientação de criminosos”.

Para os procuradores, Greenwald, diferentemente da tese por ele apresentada, recebeu o material de origem ilícita, enquanto a organização criminosa ainda praticava os crimes.