Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

O jornalista britânico Dom Phillips, assassinado enquanto trabalhava na Amazônia, foi velado neste domingo (26) por familiares e amigos no Brasil, país “que ele amava”.

“Hoje Dom será cremado no país que amava, seu lar escolhido, Brasil”, disse a viúva de Phillips, a brasileira Alessandra Sampaio, chorando após uma cerimônia reservada para amigos e familiares no cemitério Parque da Colina, em Niterói, perto do Rio de Janeiro

Phillips, 57 anos, foi morto a tiros no dia 5 de junho junto com o indigenista Bruno Pereira, 41, quando voltavam de uma expedição no Vale do Javari, parte remota da floresta amazônica considerada perigosa pela presença de traficantes de drogas, pesca e extração de ouro ilegais.

Sampaio agradeceu aos indígenas que ajudaram nas buscas, à imprensa e a “todas as pessoas que se solidarizaram com Dom, Bruno” e suas famílias.

“Seguiremos atentos a todos os desdobramentos das investigações, exigindo justiça”, afirmou.

“Renovamos nossa luta para que a nossa dor e a da família do Bruno Pereira não se repita, como também as das famílias de outros jornalistas e defensores do meio ambiente, que seguem em risco”, concluiu Sampaio, abraçando os membros de sua família e a de Phillips, vestidos de preto.

O funeral de Pereira foi realizado na sexta-feira passada em seu estado natal Pernambuco, cercado de emocionantes rituais indígenas. Esses povos o consideravam um “irmão” por seu trabalho em defesa de seus territórios.

– Apaixonado pela Amazônia –

Phillips morava no Brasil há 15 anos. Além de ser um colaborador regular do The Guardian, ele trabalhou para o The New York Times, The Washington Post e o Financial Times.

Apaixonado pela Amazônia, sobre a qual escreveu dezenas de reportagens, Phillips esteve na região do Vale do Javari, orientado por Pereira, para trabalhar em um livro sobre conservação ambiental e desenvolvimento local, com apoio da Fundação Alicia Patterson, nos Estados Unidos.

Pereira, que trabalhou por muitos anos na Funai, estava a serviço de organizações indígenas locais, trabalhando em um projeto para ajudá-las a denunciar invasões de suas terras por madeireiros ilegais, garimpeiros e caçadores.

Por esse trabalho, Pereira recebeu ameaças de morte.

Três suspeitos foram presos no crime, incluindo um pescador que confessou ter enterrado os corpos e levado os investigadores ao local, mais de 10 dias depois que Phillips e Pereira foram vistos pela última vez a bordo de uma lancha.

Os restos mortais foram identificados e entregues às famílias na última quinta-feira.

Nesse mesmo dia, a Polícia Civil de São Paulo anunciou a prisão de um quarto suspeito que se apresentou às autoridades dizendo ter participado do crime. Mas a Polícia Federal, que lidera as investigações, afirmou que ele foi liberado porque sua versão do ocorrido era “pouco crível e desconexa” do que havia sido investigado até então.