O avanço do consumo digital no Brasil trouxe uma mudança decisiva na forma como empresas são encontradas e escolhidas. Hoje, a jornada de compra começa na busca, mas uma parcela significativa dos negócios segue fora desse processo. Mesmo com bilhões de exibições registradas em páginas empresariais no Google e crescimento da presença em ferramentas de inteligência artificial, cerca de 75% das prestadoras de serviço ainda não possuem uma presença digital estruturada. Entre as que estão online, muitas apresentam dados desatualizados, contatos incorretos ou reputação pouco trabalhada, o que compromete diretamente a conversão.
O impacto acontece antes mesmo do primeiro contato. O consumidor transita por diferentes canais, compara informações e valida a decisão em múltiplos pontos. Dados do Google indicam que 93% das pessoas pesquisam online antes de comprar, enquanto a BrightLocal aponta que 99% consultam avaliações durante o processo. Nesse cenário, inconsistência ou ausência de dados deixa de ser detalhe e passa a ser motivo de exclusão.
“A escolha começa na busca. Se a empresa não aparece ou transmite insegurança nas informações, ela é descartada antes mesmo de qualquer contato”, afirma Rafael Somera, especialista em comportamento do consumidor e CEO da Solutudo.
Na prática, esse movimento tem favorecido empresas menores, mas mais organizadas digitalmente. Negócios tradicionais, mesmo com anos de atuação, acabam perdendo espaço por não acompanharem a dinâmica da jornada digital. A diferença não está necessariamente na qualidade do produto ou serviço, mas na capacidade de ser encontrado, gerar confiança e sustentar essa percepção ao longo da decisão.
A trajetória da Solutudo acompanha essa transformação. Fundada em 2005, ainda no período dos guias comerciais, a empresa evoluiu junto com a digitalização do consumo. Hoje, reúne milhões de empresas cadastradas, atende milhares de clientes ativos e registra milhões de usuários mensais. Nos últimos 12 meses, páginas ligadas à sua base foram exibidas mais de 2 bilhões de vezes em mecanismos de busca e começam também a aparecer em respostas de inteligência artificial, ampliando a visibilidade de pequenos negócios em diferentes regiões do país.
O avanço da tecnologia, incluindo o uso de inteligência artificial, tem ampliado a capacidade de organização e distribuição dessas informações. Ainda assim, o principal gargalo continua sendo básico. “Mais importante que a inteligência artificial é organizar a informação. A pequena empresa tem história, tem reputação, mas isso precisa estar acessível e coerente nos canais onde o cliente decide”, afirma Somera.
Segundo ele, muitos empresários ainda associam presença digital apenas às redes sociais, o que limita o alcance e a competitividade. A jornada atual envolve buscadores, mapas, plataformas de avaliação e outros pontos de contato que influenciam diretamente a escolha.
No Brasil, micro e pequenas empresas representam cerca de 30% do Produto Interno Bruto e respondem por aproximadamente 70% dos empregos formais, segundo o Sebrae. Ainda assim, uma parcela relevante desses negócios enfrenta dificuldades para ser encontrada no ambiente digital, o que reduz o potencial de crescimento e aumenta a dependência de canais tradicionais.
Para o especialista, o desafio não está apenas na adoção de tecnologia, mas na organização da presença. “A empresa que não cuida disso deixa de disputar. E, quando percebe, o cliente já escolheu outra opção”, afirma.
A transformação do consumo consolidou um novo critério de competitividade. Estar presente, atualizado e bem avaliado deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para participar da escolha do consumidor.